ANTÓNIO PEREIRA TEIXEIRA (PADRE) descobrir caminhos novos
Padre António Pereira Teixeira, natural de Vila Boa do Bispo, diocese do Porto, faleceu no dia 6 de Janeiro de 2007.
Filho de Toneca e Rosinha, emigrantes nos Estados Unidos da América (sobretudo ele), sua vocação surgiu "espontâneamente", no ambiente de oração, na família e na paróquia. O apelo vocacional aconteceu numa lição de catequese, ao nouvir falar sobre a Apresentação do Menino Jesus no Templo. Pensou: "Se fosse naquele tempo eu também era consagrado ao Senhor, porque era o mais velho dos meus irmãos".
Entrou no Seminário das Missões, a funcionar no Convento de Cristo em Tomar, frequentando os Seminário da Sociedade Missionária. Como ele mesmo disse em entrevista publicada na Boa Nova (Outj. 1999, pp.21-29): "Fiz o percurso do Seminário com seriedade, descobrindo caminhos novos; era intolerante com tudo o que não estava bem feito; não suportava a desordem nem a negligência; era exigente comigo e com os outros; tinha sonhos grandiosos".
Aos 20 anos fez a sua consagração missionária na Sociedade Missionária da Boa Nova (SMBN). Pela suas mãos de mestre passaram milhares de alunos, que foram prepoarados para a vida ou para a missão, e hoje o lembram com saudade. Em Cernache do Bonjardim, em Cucujães, em Valadares, em Moçambique (no Seminário de Nampula, no Colégio São João de Brito, em Angoche). Sinto-me feliz por ter sido um desses seus alunos, formado para a missão. E mais que isso: segui os seus caminhos geograficamente e na formação da juventude: tendo sido como ele, em Cernache do Bonjardim e em Angoche, Professor, Reitor e Director do Colégio.
O Padre António, depois de Professor no Seminário de Nampula e pároco da Catedral, avançou para Angoche onde arrancou com o Colégio, juntamente com o Padre Eugénio Ribeiro. Nas paróquias desenvolveeu várias iniciativas pastorais com êxito, num intensa actividade com moçambicanos e de outras nacionalidades. Foi Superior Regional de Nampula, num período difícil. Sempre lúcido e atento a todas as situações, que enfrentou com prudência. Foi para Moçambique com a guerra colonial, sofreu a guerra entre a Frelimo e a Renamo, e em 1980, na IV Assembleia Geral foi eleito Vigário Geral da SMBN. Padre Armando ficou com a paróquia e o Colégio ate 1987.
"A chamada crise vocacional, dizia o Padre Teixeira, não propriamente uma crise, mas uma situação que importa enfrentar. Deus não se repete. É sempre novidade... precisamos bda 'utopia dos profetas', como dizia o Patriarca de Lisboa. No próximo milénio, será tudo melhor. Importante é acreditar, rezar e aguardar a hora de Deus".
Trabalhou muitos anos com a juventude quer em Moçambique (Nampula e Angoche), quer nos Seminários de Portugal,sendo um bom conselheiro. E dizia: "A juventude é generosa, entusiasta, sensível, mas carece de radicalidade. É um pouco como o jovem do Evangelho, 'retirou-se triste... porque tinha muitos bens'.
É certo que há novos modelos de trabalho missionário, mais fáceis e mais atractivos. Louvo esses movimentos e aprecio-os. Mas também acredito que Deus, hoje, ainda desperta vocações radicais..."
Na celebração dos 50 anos de vida sacerdotal e missionária, expressou a sua felicidade, recordando o Salmo 111: "O Senhor instituiu um memoria das suas maravilhas... Santo é o Seu nome!", e acrescentou: "Os caminhos de Deus não são caminhos já feitos, mas sim respostas a dar e projectos a construir. Foi o que tentei fazer toda a minha vida1 É esta a felicidade dos 50 anos da minha vida sacerdotal e missionária".
Partiu um grande amigo, um mestre, um conselheiro, um homem bom e com um profundo sentido de Deus na na vida e na história. Tolerante com as pessoas, exigente consigo e com os outros, organizado, metódico, homem de Deus ao serviço dos homens. Em tempo de paz e em tempo de guerra. Connosco fica o testemunho de suas palavras, com muita facilidade de comunicação, e sobretudo de sua vida missionária, que terminou descobrindo mais um caminho novo: o último que conduz a Deus. Foi no dia 6 de Janeiro de 2007. in RAIOS DE LUZ 2


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