JUVENTUDE Jovens e Redes sociais: Comissões ibéricas querem valorizar presença dos jovens e potencial das redes sociais
JUVENTUDE
Jovens e Redes sociais: Comissões
ibéricas querem valorizar presença dos jovens e potencial das redes sociais Ecclesia Jul 4, 2018 - 13:27
Reunião anual destacou
importância da presença pessoal e da comunidade na comunicação
Maia, 04 jul 2018 (Ecclesia) –
Os bispos responsáveis pelo setor da Comunicação nas conferências episcopais de
Portugal e Espanha encerraram hoje o seu encontro anual, convidando as
comunidades católicas a valorizar o papel das redes sociais na evangelização,
aproveitando a sensibilidade dos jovens.
“O primeiro desafio que os jovens nos colocam é o de se tornarem
protagonistas, na sua forma de atuar e de estar na Igreja”, disse à Agência
ECCLESIA D. João Lavrador, bispo de Angra e presidente da Comissão Episcopal da
Cultura Bens Culturais e Comunicações Sociais.
As Comissões Episcopais das Comunicações Sociais de Portugal e Espanha
estiveram reunidas desde segunda-feira, na Maia, para debater o tema ‘Os jovens
e a comunicação’.
A iniciativa teve como pano de fundo o próximo Sínodo dos Bispos sobre ‘Os
jovens, a fé e o discernimento vocacional’, convocado pelo Papa Francisco para
outubro, no Vaticano.
D. João Lavrador sublinhou a “sintonia” entre as aspirações dos jovens e o
que se pede a uma Igreja “mais testemunha do próprio Evangelho”.
Para este responsável, vive-se um tempo de “muita esperança” para que os
jovens tenham mais voz nas comunidades católicas, o que exige uma “conversão”
na forma de estar, evitando o “risco de autoritarismo”.
O bispo de Angra considera “inevitável” encontrar novas linguagens, na
relação com os mais novos.
“Hoje, há uma cultura juvenil, que tem os seus meios próprios, pelos quais
entra em diálogo”, precisa.
Nesta cultura, acrescenta, cresce a consciência de que “a rede não é
tudo”, sublinhando-se a necessidade de “um espaço de encontro pessoal”
“A Igreja como comunhão, como comunidade, exige a pertença e a
participação pessoal de cada um”, observa o presidente da Comissão Episcopal da
Cultura Bens Culturais e Comunicações Sociais.
O responsável sublinha a
necessidade apresentar a Igreja como ideal de “comunidade”, um espaço onde
“todos os membros se sentem em comunhão” e cada um se torna “comunicação,
através do seu testemunho”.
D. Ginés García Beltrán, bispo de Getafe e presidente da Comisión
Episcopal de Medios de Comunicación Social (Espanha), fala, por sua vez, da
importância de conjugar “liderança” e diálogo.
“Seria interessante que passássemos para uma rediarquia, ou seja, que a
reflexão seja conjunta, que o pensamento seja conjunto”, explica.
O bispo espanhol deixa votos de que os jovens sejam “sujeitos da
Evangelização” e assinala que os trabalhos dos últimos dias deixaram “desafios”
para avançar no “mundo tão interpelador das comunicações sociais”.
Para o responsável, é urgente propor uma comunicação menos em forma de
estrela, do centro para as pontas, e mais como a “teia de uma aranha”, que
promova a relação “entre as periferias e o centro”.
No Documento Conclusivo do encontro anual, enviado à
Agência ECCLESIA, os participantes advertem que a comunicação da Igreja
Católica permanece “maioritariamente no paradigma cultural anterior ao criado
pelas redes sociais”, “unidirecional, criada por adultos, com o modo linear e
analítico”.
“A Igreja deve oferecer a sua mensagem adaptando-a a esta nova cultura de
comunicação, predominantemente visual e fragmentária. Temos de passar com
naturalidade do digital ao real e do real ao digital; da comunidade formada por
pessoas à comunidade formada por perfis e vice-versa”, propõem os responsáveis
católicos.
“Urge uma antropologia que assinale o valor da dignidade da pessoa humana
no mundo digital, as suas características, os seus direitos e a imagem de Deus
subjacente nesses perfis”
Os bispos responsáveis pelo setor da Comunicação nas conferências
episcopais de Portugal e Espanha entendem que é necessário promover um ambiente
que possibilite “o diálogo entre todos, a partir dos seus conhecimentos,
convicções e sentido para a vida”.
“É o que podemos chamar de ‘sinodalidade quotidiana’ que se consegue não
só mudando as linguagens e as estratégias de comunicação, mas também
multiplicando-as de acordo com os destinatários”, sustentam.
O trabalho realizado teve o contributo de Leticia Soberón, do Dicastério para
as Comunicações da Santa Sé, e Joaquim Freitas, chefe nacional adjunto do Corpo
Nacional de Escutas. PR|OC|Ecclesia




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