VATICANO Mediterrâneo:Francisco reza pelos «milhares de mortos» no Mediterrâneo e critica «hipocrisia estéril» dos países mais ricos
VATICANO
Mediterrâneo: Francisco reza pelos «milhares de mortos» no Mediterrâneo e
critica «hipocrisia estéril» dos países mais ricos
Jul 6, 2018 - 10:26
Papa recorda 5.º aniversário da
visita a Lampedusa com refugiados e socorristas vindos da Espanha
Cidade do Vaticano, 06 jul 2018 (Ecclesia) – O Papa
Francisco presidiu hoje a uma Missa com refugiados, no Vaticano, pelo 5.º
aniversário da sua viagem à ilha italiana de Lampedusa, repetindo o apelo à
“responsabilidade humana” pelos migrantes e refugiados.
“Infelizmente, apesar
de generosas, as respostas a este apelo não foram suficientes e hoje choramos
milhares de mortos”, disse na homilia da celebração, na Basílica de São Pedro.
Francisco recordou as
vítimas da “cultura do descarte”, entre eles os migrantes e os refugiados que
“continuam a bater às portas das nações que gozam de maior bem-estar” e são
recebidos com a “hipocrisia estéril de quem não quer «sujar as mãos»”.
A Missa contou com a
presença de cerca de 200 pessoas, entre refugiados e socorristas, alguns dos
quais vindos de Espanha, junto ao altar da Cátedra.
“Quis celebrar o
quinto aniversário da minha visita a Lampedusa convosco, que representais os
socorristas e os resgatados no Mar Mediterrâneo”, explicou o Papa.
Em junho, o navio
Aquarius, da organização não-governamental SOS Mediterranée, foi encaminhado
para a Espanha, escoltado por duas embarcações da Marinha Italiana, depois de
ter sido impedido de atracar na Itália e em Malta.
Francisco agradeceu a
quem acolhe os migrantes e refugiados, considerando que encarnam hoje a
parábola do Bom Samaritano, “que parou para salvar a vida daquele pobre homem
espancado pelos ladrões, sem lhe perguntar pela sua proveniência, pelos motivos
da sua viagem ou pelos seus documentos”
“Aos resgatados, o
pontífice deixou uma palavra de solidariedade e encorajamento, recordando as
“tragédias” de que estão a fugir.
“Peço-vos que
continueis a ser testemunhas da esperança num mundo cada vez mais preocupado
com o próprio presente, com reduzida visão de futuro e relutante a partilhar, e
que elaboreis conjuntamente, no respeito pela cultura e as leis do país de
acolhimento, o caminho da integração”, apelou.
A intervenção
denunciou o “silêncio, por vezes cúmplice”, de muitos, perante o drama dos que
fogem da guerra ou da fome, dos “últimos, os rejeitados, os abandonados, os
marginalizados”.
“O Senhor promete
descanso e libertação a todos os oprimidos do mundo, mas precisa de nós para
tornar eficaz a sua promessa. Precisa dos nossos olhos para ver as necessidades
dos irmãos e irmãs. Precisa das nossas mãos para socorrê-los. Precisa da nossa
voz para denunciar as injustiças cometidas”.
O Papa apontou o dedo
a quem constrói muros, “reais ou imaginários”, em vez de pontes e defendeu que
a única resposta sensata é “a solidariedade e a misericórdia”.
“Uma resposta que não
faz demasiados cálculos, mas exige uma divisão equitativa das
responsabilidades, uma avaliação honesta e sincera das alternativas e uma gestão
prudente”, precisou.
“Política justa é
aquela que se coloca ao serviço da pessoa, de todas as pessoas interessadas;
que prevê soluções idóneas a garantir a segurança, o respeito pelos direitos e
a dignidade de todos; que sabe olhar para o bem do seu país tendo em conta o
dos outros países, num mundo cada vez mais interligado”.
Após a homilia,
houve um momento musical e de evocação dos defuntos, dos sobreviventes e
daqueles que os assistem.
No final da Missa, o
papa cumprimentou os presentes, um a um, durante vários minutos.
A viagem do Papa à
ilha italiana de Lampedusa, a primeira do pontificado, no dia 8 de julho de
2013, evocou o drama dos milhares de migrantes que tentam entrar na Europa e
acabam por perder a sua vida no mar Mediterrâneo. OC|Ecclesia



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