NATAL CELEBRAÇÃO EXTERIOR Não há outra maneira de o celebrar

 NATAL
CELEBRAÇÃO EXTERIOR Não há outra maneira de o celebrar


Há toda aquela tendência moderna a que a religião seja considerada como uma questão de foro íntimo, subjectiva e que diga respeito somente às crenças internas de cada fiel, sem nenhum reflexo no mundo objectivo dos factos empiricamente verificáveis. Sustentá-lo é um lugar-comum entre os que se consideram intelectuais e livre-pensadores, mas existe apenas um pequeno problema: o Cristianismo não se amolda a esta concepção religiosa de nenhuma maneira.
A Igreja é uma instituição histórica que nasce de fatos históricos: a Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, Deus e Home Verdadeiro. No início do Cristianismo  a construção é de Bento XVI  não está uma grande idéia, nem uma grande descoberta, nem uma inspiração subjectiva profunda nem nada do tipo: está uma pessoa, a de Nosso Senhor  e, em particular, está o Seu Nascimento hoje celebrado em todo o mundo. O Cristianismo não é uma disposição de alma nem uma maneira abstracta de ver o mundo: o Cristianismo é uma realidade histórica, no sentido mais próprio que esta expressão é capaz de assumir.

Tudo na Igreja Católica tem esta orientação voltada para o sensível, para o empírico: aquilo que os primeiros Apóstolos anunciavam  é São João quem o diz (cf. 1Jo 1, 1-3)  é o que eles viram e ouviram e tocaram com as suas mãos. Não se trata de uma idéia: a Fé que recebemos dos Apóstolos simplesmente não comporta ser reduzida a uma questão de foro interno, a uma decisão meramente subjectiva e individual. Fazê-lo é destruir a própria Fé. De facto, como sustentar que um nascimento verdadeiro  hoje comemorado no mundo inteiro  possa ser uma questão de foro íntimo? As idéias até podem nascer no universo privado de cada mente individual: os homens, no entanto, nascem no mundo exterior que é comum a todos os homens. Se um Menino verdadeiramente nos nasceu, se Ele veio ao mundo em Belém da Judéia, se isso se passou na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada de Atenas; no ano setecentos e cinquenta e dois da fundação de Roma; no ano quinhentos e trinta e oito do edito de Ciro, autorizando a volta do exílio e a reconstrução de Jerusalém; no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, enquanto reinava a paz sobre a terra  como cantam as Kalendas de Natal -, se tudo é assim, como é possível, então, que o
Cristianismo seja uma questão subjectiva que só diga respeito às disposições interiores dos que têm Fé? O carácter histórico da Encarnação é parte constituinte da Fé Cristã! E, por mais que as pessoas teimem em não acreditar, o Deus-Menino continua nascido em uma estrebaria. Por mais que os homens duvidem, os anjos continuam a cantar o Gloria a uma turba de assustados pastores. Por mais que os cegos insistam em fechar os olhos, a Luz continua a refulgir nas Trevas, em uma noite fria de dezembro  e de lá a iluminar toda a História.
Porque, independente daquilo em que creiam os homens, a realidade se lhes
impõe inexorável  e a realidade é que o Verbo Divino se fez Carne, e é esse o prodígio que nós celebramos ainda hoje.
Celebramos ad extra, no mundo  exterior a nós mesmos -, porque foi ao mundo que Ele veio. Celebramos de modo visível e perceptível, porque o dia de
hoje é justamente Aquele Dia em que o Deus Invisível Se fez visível e Se
colocou ao nosso alcance. Celebramos abertamente, diante de todos, porque a
Boa Nova hoje anunciada é causa de alegria para todo o povo (cf. Lc II,
10). Celebramos, enfim, o Natal em público  porque não há outra maneira de o celebrar.

Um santo e feliz Natal a todos! Aos que já crêem, a fim de que o Deus hoje
humilhado no presépio possa vencer a dureza de nosso coração e nos tornar
menos indignos dEle. Aos que não crêem, para que, olhando para o Verbo
Eterno feito Menino recém-nascido, possam ser tocados pela graça de Deus e, voltando-se para a Luz, abandonem as trevas em que vivem. E a todos, a fim de que o Seu Nascimento aproveite a nós: a fim de que nos conduza, um dia, à Glória definitiva pela qual Ele nos veio. In Deus vult

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