SIRIA KOBANE Jihadistas tentam cercar de novo a cidade síria de Kobane
SIRIA
KOBANE Jihadistas
tentam cercar de novo a cidade síria de Kobane
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| 01/11/201410h10 |
SURUC, Turquia, 01 Nov 2014
(AFP) - Os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) tentaram mais uma vez neste
sábado isolar a cidade síria de Kobane, onde os milicianos curdos receberam o
reforço de 150 peshmergas iraquianos na sexta-feira.
Os jihadistas, que segundo o
Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) sofreram pelo menos 100 baixas
nos últimos três dias, tentaram assumir o controle dos bairros da zona norte da
cidade, com o objetivo de cercar a localidade e cortar o acesso à vizinha
Turquia, cuja fronteira fica a menos de um quilômetro.
Os combates prosseguiram até a
manhã de sábado na cidade, a terceira maior localidade curda da Síria.
Os combatentes curdos sírios,
que defendem de maneira intensa Kobane desde 16 de setembro, receberam na
sexta-feira o reforço de 150 peshmergas, que viajaram a partir do Curdistão
iraquiano e passaram pela Turquia, mas que ainda não participaram nos combates,
segundo o OSDH.
"Estávamos preparados
para combater imediatamente, mas as YPG (as milícias curdas sírias) pediram
para que preparássemos certos assuntos antes", disse um oficial peshmerga
à agência de notícia curda Rudaw.
De acordo com o OSDH, 576
jihadistas morreram na batalha de Kobane desde setembro. Também faleceram 361
milicianos curdos e aliados, assim com 21 civis, em um total de 958 pessoas.
Enquanto os curdos defendem
Kobane, que virou o símbolo da resistência, os jihadistas da Frente Al-Nosra
expulsaram os rebeldes moderados da Frente Revolucionária Síria (FRS) de seu
reduto do noroeste do país após 24 horas de combates, informou a mesma ONG.
Segundo o OSDH, alguns
jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) ajudaram a Frente Al-Nosra, apesar dos
confrontos entre os dois grupos em outras regiões do país.
"A Frente Al-Nosra
assumiu o comando em Deir Sinbel e agora controla a maioria das localidades e
vilarejos da região de Jabal al-Zawiya", afirma um comunicado do OSDH.
"Os combatentes do braço
sírio da Al-Qaeda ficaram com armas e tanques da FSR. Uma parte dos rebeldes
jurou lealdade à Frente Al-Nosra e outra fugiu", destacou a ONG. A derrota
é um duro golpe aos esforços dos Estados Unidos para criar e treinar uma força
moderada entre os rebeldes que lutam contra o regime do presidente sírio Bashar
al-Assad.
15.000 jihadistas estrangeiros
Apesar da campanha contra o EI
na Síria, o Iraque continua sendo a prioridade do governo dos Estados Unidos,
que realiza incursões aéreas neste país desde 8 de agosto e enviou centenas de
assessores militares para apoiar as forças governamentais.
As tropas de Bagdá conseguiram
recuperar na sexta-feira os controles de dois bairros da cidade de Baiji,
controlada pelo EI desde a ofensiva fulgurante no Iraque em junho.
Recuperar totalmente esta
localidade, que fica ao norte da capital, permitiria garantir a segurança da
principal refinaria iraquiana, muito próxima do local onde as forças de
segurança resistem há vários meses à ofensiva dos radicais sunitas.
Acusado de limpeza étnica e de
crimes contra a humanidade pela ONU, o grupo Estado Islâmico aproveitou a
guerra civil na Síria e a instabilidade do Iraque para assumir o controle de
vastas faixas de território nos dois países, espalhando o terror em sua
passagem. Segundo um relatório
da ONU citado pelo jornal britânico The Guardian, 15.000 jihadistas
estrangeiros procedentes de 80 países combatem ao lado do EI, um número
"sem precedentes".
Manifestações de apoio
Para demonstrar o apoio aos
combatentes de Kobane, o principal partido curdo da Turquia convocou
manifestações em todo o país e em cidades da Europa.
O PKK critica Ancara pela
falta de uma intervenção na Síria. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan se
nega a entrar na disputa, por temer acabar reforçando os curdos da Turquia, com
os quais negocia um processo de paz há dois anos, marcado por muitos
obstáculos.

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