FRATERNIDADE gestos de fraternidade

Gestos de fraternidade

Deus é nosso Pai. Um Pai bondoso com rosto de misericórdia, com rosto a saber a pão. E Deus revelou-se em Jesus Cristo, no Seu Filho unigénito, através do qual se tornou visível no mistério da Encarnação: criança, pregador de Boas Novas, perseguido por uns e acarinhado por outros, morto na cruz e ressuscitado e na glória do Pai pela sua Ascensão. No fim de contas e como diz o Evangelho: «Alguém que passou fazendo o bem». E fazer o bem é dar o rosto humano ao Emanuel.
As diversas formas de paternidade que encontramos na nossa caminhada da vida, são também reflexos do amor do Pai: pais que transmitem a vida, pais que cuidam dos seus filhos, pais que ensinam seus filhos a serem homens, pais que não enjeitam de forma alguma a sua responsabilidade e missão de educadores e formadores. Associam-se a esta paternidade todos os que, como os sacerdotes e as pessoas consagradas, cultivam amizade que faz crescer na vida e dão testemunho da fé e da alegria, são mestres que arrastam nos caminhos do bem. Igualmente os educadores, que merecem tal nome, sendo pela sua humanidade, dignidade e fé, preciosas ajudas para o crescimento humano e cristão.

Toda esta caminhada exige uma grande metanoia, uma grande conversão, pois o pecado é desamor, e é abuso da liberdade. Que as pessoas possam amar sem medida, a Deus e aos Irmãos. O drama do homem foi e será sempre escolher a escravidão, ficando dependente de temores, de hábitos errados, de caprichos, criando ídolos que o dominam  a quem servem, e seguindo ideologias que aviltam a humanidade porque destruidoras do homem e dos valores reais. Perante isto não há outro caminho que não seja o da conversão. São palavras de Jesus: «Arrependei-vos e acreditai na boa nova».
Deus olha para o pecador com vontade de perdoar. Vemo-lo no olhar e nos gestos de Jesus para com os pecadores: Zaqueu, a mulher adúltera, o ladrão arrependido, a samaritana e tantos outros através da história… «Vai e não tornes a pecar»! O homem não pode viver sem amor, e quando descobrir o amor misericordioso do Pai, não mais quererá perdê-lo.
Deus é o pai que espera o regresso do filho pródigo, aguardando-o para lhe dar o perdão e abraçá-lo fortemente, e fazer grande festa. Um filho «estava perdido e encontrou-se»! O sacramento da Penitência revela a ternura de Deus.

Se o primeiro mandamento é amar a Deus acima de todas as coisas, o segundo é amar  o próximo como a nós mesmos. E os dois mandamentos se reúnem num só. «Quem não ama o irmão que vê, como pode amar a Deus que não vê»? Se tentamos viver um cristianismo sem este mandamento de Jesus, é certo que continuamos a perder o dom da vida, gastando-o em inutilidades.

Tomar iniciativas concretas de partilha para com os mais pobres e marginalizados, participar com generosidade em projectos de desenvolvimento, envolver-se em gestos de fraternidade e de solidariedade, tentar criar um ambiente de optimismo na família e no trabalho. E ainda, desenvolver momentos de são convívio, atender às crianças que não  têm ninguém, visitar os velhinhos talvez desprezados ou invadidos pela solidão, esquecer as ofensas que nos fazem ou fizeram, acarinhar em vez de amaldiçoar, estimular em vez de criticar, melhorar em vez de rebaixar, construir em vez de destruir, são gestos que tornam visível o amor do Pai, são gestos que tornarão o mundo melhor, são gestos de fraternidade universal.

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