ROMA “A violência vence-se com a paz”
ROMA
“A violência vence-se com a paz”
1. “A violência não se
vence com a violência. A violência vence-se com a paz", disse o Papa
Francisco, no passado Domingo, 20 de julho. Na oração do Angelus, no Vaticano,
o Papa apelou à oração e ao diálogo e reconciliação, manifestando a sua preocupação
com a situação no Médio Oriente e na Ucrânia. “Soube com preocupação as
notícias que chegam das comunidades cristãs em Mossul e outras partes do Médio
Oriente”, referiu, apelando à oração por aqueles que "são perseguidos, são
mandados embora", obrigados a "deixar as suas casas sem ter a
possibilidade de levar nada consigo”. No Iraque, os cristãos de Mossul
abandonaram em massa a cidade após o ultimato lançado pelo Estado Islâmico, que
controla a cidade. O grupo fundamentalista deu até sábado para os cristãos se
converterem ao islamismo, pagarem a ‘jizya’, uma taxa religiosa, ou abandonem a
cidade. Caso contrário seriam mortos.
2. Ainda no Domingo, o
Papa Francisco telefonou ao Patriarca Sírio-católico Youssif III Younan,
tendo-lhe assegurado que “acompanha de perto e com preocupação o drama dos
cristãos expulsos e ameaçados na cidade iraquiana de Mosul”, informou a Agência
SIR. Segundo o Patriarcado sírio-católico, “a conversa durou 9 minutos, durante
a qual o Patriarca Younan agradeceu ao Papa e pediu-lhe para intensificar os
esforços junto dos poderosos do mundo, colocando-os a par do facto que na
Província de Nínive se está a consumar uma limpeza em massa baseada na religião
que envergonha pelo silêncio do assim chamado ‘mundo civilizado’”.
No final da conversa,
o Papa Francisco concedeu a sua Bênção Apostólica a todo o povo cristão do
Oriente, assegurando que a paz e a segurança estarão sempre presentes nas suas
orações.
3. O Papa telefonou
aos presidentes de Israel e da Autoridade Palestiniana, Shimon Peres e Mahmoud
Abbas, respetivamente, para lhes transmitir a sua preocupação perante a atual
situação de conflito “que afeta particularmente a Faixa de Gaza”, revelou a
Sala de Imprensa da Santa Sé, em comunicado, na sexta-feira, dia 18 de julho.
Francisco quis reforçar o apelo à paz que tinha lançado dias antes, no
Vaticano, para superar um “clima crescente de hostilidade, ódio e sofrimento”
entre israelitas e palestinos, que se tornou uma “grave emergência humana”.
Na mensagem, o Papa
diz que deve-se “continuar a rezar e a trabalhar para que todas as partes
envolvidas e os que têm responsabilidades políticas a nível local e
internacional se comprometam no fim da hostilidade”.
4. O Papa lamentou a
“catástrofe” com o avião da Malaysia Airlines. O Vaticano revelou que o Papa
recebeu com “consternação” a notícia da queda do avião da Malaysia Airlines na
Ucrânia, uma “catástrofe” que Francisco quer ver evitada no futuro. “O Papa
reza pelas numerosas vítimas do acidente e pelos seus familiares, renovando às
partes em conflito o forte apelo pela paz e por um compromisso para encontrar
soluções para o diálogo, a fim de evitar mais perdas de vidas humanas
inocentes”, refere uma nota publicada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, no dia
18.
O avião da Malaysia
Airlines, com 298 pessoas a bordo, fazia a ligação entre Amesterdão e Kuala
Lumpur, tendo desaparecido dos radares da Ucrânia a uma altitude de 10.000
metros. O Boeing-777 perdeu a comunicação com terra na região oriental de
Donetsk, perto da cidade de Shaktarsk, e palco de combates entre forças
governamentais ucranianas e rebeldes pró-russos. Os serviços secretos
norte-americanos disseram “acreditar fortemente” que o avião foi abatido por um
míssil terra-ar, de origem ainda desconhecida.
5. O Papa Francisco
vai-se deslocar à Coreia do Sul, de 14 a 18 de agosto, para um encontro com a
juventude católica asiática e a beatificação de “mártires da fé” coreanos.
Passaram 25 anos desde a última visita de um Papa à Coreia do Sul. Há, por
isso, uma grande expectativa nesta viagem que se prevê histórica a um
continente cheio de esperança na evangelização. O grande motivo desta viagem,
que vai durar cinco dias, é o encontro com os jovens asiáticos – uma versão
asiática da Jornada Mundial da Juventude. Mas existem outras etapas muito
importantes a assinalar, tal como uma Missa de beatificação de 123 mártires.
Aqui, tal como o Papa João Paulo II, também o Papa Francisco vai beatificar
outros tantos na sua visita. É sinal de uma forte presença cristã neste momento
do contexto cultural do mundo. A esmagadora maioria dos que vão ser
beatificados são leigos, havendo apenas um sacerdote. É manifestação de uma
consciência do que é o cristianismo na vida normal.
Na agenda papal,
haverá também uma Missa pela paz. Nos últimos dias circularam notícias de que
os católicos da Coreia do Norte tinham sido convidados a participar na Missa
com o Papa. Sabe-se, porém, que quem se afirma católico na Coreia do Norte é
condenado e morto. Basta até ter uma Bíblia. Apesar disso, segundo o Arcebispo
de Seoul, houve mesmo um convite formal enviado para a Coreia do Norte mas até
agora ainda não houve resposta.
Aura Miguel, à conversa com Diogo Paiva Brandão



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