PADRE NEVES Palavras Para Continuar Sempre: por pedro josé, CDJP

PADRE NEVES
Palavras Para Continuar Sempre:   por pedro josé, CDJP
 In memoriam: Pe. Manuel dos Santos Neves, SMBN: 01/08/1941 – 19/04/2015.

1. Quero guardar um testemunho forte de Justiça. Um testemunho forte de Profecia. Um testemunho forte sobre o ser Testemunha, livre e implicada. Ensinou-me tudo «isso» e muito «mais». Sobretudo, a saber acreditar mais nas testemunhas empobrecidas, do que nos factos enriquecidos, e a questionar a maneira como os contam, os bem-sucedidos neste mundo institucionalizado e mediático. Não há outra consolação, para além da Verdade.

2. Mergulhar a Vida Toda no serviço aos outros. Querer amar o que se faz de modo inteiro. Sempre com alegria e boa disposição. Sempre capaz de dar a mão. Sempre a recomeçar e a liderar uma nova construção. Sempre a celebrar e a catequizar. Sempre a refletir e a procurar alertar para a injustiça. Repartindo pão e saber. Repartindo amizade lealmente. Podemos errar, mas não devemos mentir e corromper a Beleza da fidelidade.

3. Sempre a ousadia de continuar a fazer caminho juntos. O «lugar» para todos na participação da Comunidade. Viveu nas «periferias» por opção e não imposição. Preferia não ficar sentado à espera. Acreditava que nas coisas do mundo não se opõem: fé e política, evangelho e justiça social, necessidade e liberdade. Não há uma realidade sem a outra. Podemos adiar mas não devemos omitir. Avançar na corresponsabilidade. Não mendigar nunca os direitos e cumprir sempre os deveres.

4. Cada gesto e cada pensamento, dito e redito, na sua condição de doente, marcava e remarcava a sua Fidelidade. Fiel à vida partilhada. Fiel à família coesa. Fiel à missão do anúncio evangélico. «Ninguém é insubstituível»: a coragem de ser fiel a Deus até ao fim. Faz-nos muita falta o seu conselho lancinante e lúcido. «É que nós só temos o que damos». Talvez as «burocracias» na Igreja o irritassem acima de tudo. Mas os projetos e sonhos de Deus galvanizavam-no sem medida. O Espírito Santo ardia através dele.

5. Na morte dum amigo assim não há palavras. Elas fogem junto com o pensamento ordenado. Mas a Presença e o Silêncio diante da morte deste amigo, ganham Vida Nova. É então que nas palavras da Fé ousamos pronunciar o verbo ressuscitar. Há um princípio de ressurreição escondido no Coração. Há um horizonte de Esperança onde a solidão dá lugar ao difícil tema da Comunhão dos Santos. Sinto que oração pelos que já partiram é feita de rostos e histórias memoráveis. Recordar é rezar.

6. Escutei-o (nem sempre) na sua sabedoria digna. Testemunhei-o na sua privacidade franca. Inquietou-me (quase sempre) na integridade doada ao máximo. O estudo do que fez e escreveu - ainda por organizar e publicar, apesar de biograficamente incompleto -, será pleno de desafio à nossa santidade comum. A sua vida significará o que sempre significou (para sempre). A nossa «conversa» à mesa…, na rede…, na viagem de carro…, nos «intervalos» da missa, excecionalmente criados por si, não foram «cortados». A «conversa» segue dentro de momentos. Pe. Manuel Neves! Rezarei agradecido consigo em todas as missas.

pedro josé, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 20-04-2015,


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