FILIPINAS FILIPINAS »Direitos humanos» nas Filipinas por ARMANDO SOARES

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1   »Direitos humanos» nas Filipinas por ARMANDO SOARES
 Bispos filipinos pela uniram suas vozes contra o governo - contra os assassinatos pelas drogas -  numa declaração lida nas igrejas de todo o país no dia 05.02.2017.
Foto: MARK SALUDES
JOE TORRES//LEONEL ABASOLA//ARMANDO SOARES

A Conferência Episcopal das Filipinas reuniu filipinos católicos contra uma onda de homicídios nos últimos sete meses atribuídos à "guerra total" do governo contra as drogas.
"Se consentirmos ou permitirmos o assassinato de suspeitos de dependentes de drogas, também seremos responsáveis ​​por suas mortes", disseram os bispos na declaração pastoral.
"O tráfico de drogas ilegais precisa ser interrompido e superado", disseram os líderes da Igreja. "Mas a solução não está no assassinato de suspeitos de usuários de drogas", acrescentaram.
Foi a primeira vez que os líderes da Igreja Católica do país falaram a uníssono contra os assassinatos. A declaração foi aprovada durante a assembléia plenária semestral dos prelados, de 28 a 30 de janeiro.
Estima-se que 7.000 pessoas foram mortas desde que o presidente filipino Rodrigo Duterte lançou uma guerra contra as drogas ilegais quando chegou ao poder em junho do ano passado.
Os bispos mantiveram-se firmes contra os assassinatos durante as operações antidrogas da polícia e por supostos grupos de vigilantes que atacavam usuários de drogas e traficantes, dizendo: "nem mesmo o governo tem o direito de matar".
"Nós, na Igreja, continuaremos a falar contra o mal, mesmo quando reconhecemos e nos arrependemos de nossas próprias falhas", diz a declaração assinada pelo arcebispo Socrates Villegas, Presidente da Conferência.
Duterte criticou repetidamente os líderes de Igrejas que criticavam sua campanha contra os narcóticos, acusando os bispos de hipocrisia e chamando-os de "filhos da puta" e "molesters".
Mas os prelados disseram que continuariam a opor-se aos assassinatos "mesmo que provoque perseguição sobre nós porque somos todos irmãos e irmãs responsáveis ​​uns pelos outros".
"Consentir e guardar silêncio diante do mal é ser cúmplice dele", lê-se na declaração pastoral. Eles disseram que os católicos devem expressar objecções semelhantes.
"Se negligenciarmos os viciados em drogas e os traficantes, tornamo-nos parte do problema das drogas, se consentirmos ou permitirmos o assassinato de suspeitos de drogas, também seremos responsáveis ​​por suas mortes", disseram os bispos.
Os bispos enfatizaram que, embora fossem um com o povo filipino que deseja a mudança, essa mudança "deve ser guiada pela verdade e pela justiça".

Os bispos enfatizaram a necessidade de lidar com a pobreza generalizada, que eles identificaram como a raiz da criminalidade e o problema da droga, fornecendo trabalho e salários suficientes aos trabalhadores.  E também enfatizaram a necessidade de fortalecer as famílias e de erradicar os polícias desonestos e os juízes corruptos.

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