VATICANO/sem abrigo Três fotografias escolhidas pelo papa Francisco para a Esmolaria do Vaticano
VATICANO/sem abrigo
Três fotografias escolhidas pelo papa Francisco para a Esmolaria do
Vaticano
09
Janeiro, 2019
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| Foto: Daniele Garofani | Vatican News |
O Papa, esta manhã na homilia: «Vem à minha mente uma fotografia que está na Esmolaria: um disparo espontâneo feito por um bravo rapaz romano e oferecido à Esmolaria». O «bravo rapaz romano» é Daniele Garofani, que presta também serviço voluntário na instituição assistencial do Vaticano.
Em ano e meio de
trabalho, de 2016 a 2017, Daniele produziu uma reportagem de 50 imagens sobre
sem-abrigo que vivem em redor do Vaticano e da basílica de S. Pedro. Entrevista
ao fotógrafo do “L’Osservatore Romano”, autor de imagens de sem-abrigo que o
papa Francisco evocou hoje, na homilia da missa a que presidiu.
O livro com as
fotografias foi apresentado ao papa pelo autor, acompanhado pelo então
responsável da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, a 7 de agosto de 2017.
Francisco ficou sensibilizado e indicou aquelas que gostaria de ver, ampliadas,
nas paredes da Esmolaria.
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| Foto: Daniele Garofani | Vatican News |
De mão estendida (1)
Obtida a 7 de janeiro de 2017, esta imagem «retrata um pobre que quase todos os dias estaciona entre a Via della Conciliazione e a Via di Porta Angelica. O homem está por terra com o braço estendido ao alto, para os passantes, é um pedido de ajuda, é um gesto que repete todos os dias, é o seu modo de viver. Sabe que ao mostrar as malformações na sua cabeça pode ter alguma coisa mais. E ostenta-as deitando-se no passeio, de modo que os passantes possam olhá-lo melhor».
Obtida a 7 de janeiro de 2017, esta imagem «retrata um pobre que quase todos os dias estaciona entre a Via della Conciliazione e a Via di Porta Angelica. O homem está por terra com o braço estendido ao alto, para os passantes, é um pedido de ajuda, é um gesto que repete todos os dias, é o seu modo de viver. Sabe que ao mostrar as malformações na sua cabeça pode ter alguma coisa mais. E ostenta-as deitando-se no passeio, de modo que os passantes possam olhá-lo melhor».
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| Foto: Daniele Garofani | Vatican News |
De mão estendida (2)
Também a 7 de janeiro, mas de dia. «Um casal dos seus 60 anos à saída da igreja
de Santa Maria in Traspontina, no fim da missa. Como acontece um pouco a todos,
surgem incomodados por quem está à sua frente pedindo dinheiro. Achei muito bom
o contraste entre a senhora em peles e a idosa com a mão estendida.» «Tentar
capturar qualquer cena que retrate de alguma forma a miséria que encontro
saindo de casa para fazer alguns metros e entrar no Vaticano, fez-me refletir.
Tenho esse direito? Posso de alguma forma faltar ao respeito a uma pobreza
digna, mesmo que não seja bonita aos olhos dos observadores de passagem?»
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| Foto: Daniele Garofani | Vatican News |
Ceia comida no chão
A terceira fotografia escolhida pelo papa para a Esmolaria foi tirada na noite
de 20 de dezembro de 2016, quando estava ao serviço da Esmolaria com o seu
responsável máximo, o cardeal polaco Konrad Krajewski. «Pelas 22h00 voltámos à
casa de Santa Ana, evitando o homem por terra que estava a consumir uma
refeição num prato de plástico. Não sei o motivo por que queria estar ali, mas
os militares italianos de guarda no exterior e a Guarda Suíça gastaram muito
tempo para o fazer levantar. Foi-se embora praticamente depois de ter acabado.
A minha interpretação talvez seja forte e incorreta, mas pareceu-me que ele,
aceitando o que tinha sido oferecido, pretendia consumi-lo à frente de todos,
sobretudo de quantos entram no Vaticano. Recusando esconder-se aos olhos de
todos, porque estava consciente de quantos desviam o olhar diante de um
sem-abrigo que come e dorme por terra. Vi dignidade nisto, ou pelo menos uma
tentativa, ainda que um pouco louca, de a reivindicar.
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| Foto: Daniele Garofani | Vatican News |
Reações negativas
«Era inevitável. Mas em todo o caso senti que dava um testemunho visível. São muitos e por motivos diversos aqueles que vivem na rua, comem, dormem e esperam. Um universo que ainda tento compreender. Tentei fotografar apenas aqueles que via na praça de S. Pedro e nas ruas à volta. Onde muitos encontraram refúgio. Onde encontraram um lugar onde lavar-se, comer, dormir. E agora também tratarem-se, graças ao ambulatório da Esmolaria Apostólica. Onde se sentem acolhidos e protegidos por uma mão misericordiosa, a do papa Francisco, como no último disparo da série.» «Talvez também por isso não encontrei apenas desespero e resignação, mas também vontade de dignidade, vontade de dizer que ainda que a casa é a rua, o leito um degrau da colunata, também existem eles. Que no fim de contas não é verdade que sejam tão invisíveis.»
«Era inevitável. Mas em todo o caso senti que dava um testemunho visível. São muitos e por motivos diversos aqueles que vivem na rua, comem, dormem e esperam. Um universo que ainda tento compreender. Tentei fotografar apenas aqueles que via na praça de S. Pedro e nas ruas à volta. Onde muitos encontraram refúgio. Onde encontraram um lugar onde lavar-se, comer, dormir. E agora também tratarem-se, graças ao ambulatório da Esmolaria Apostólica. Onde se sentem acolhidos e protegidos por uma mão misericordiosa, a do papa Francisco, como no último disparo da série.» «Talvez também por isso não encontrei apenas desespero e resignação, mas também vontade de dignidade, vontade de dizer que ainda que a casa é a rua, o leito um degrau da colunata, também existem eles. Que no fim de contas não é verdade que sejam tão invisíveis.»
Tradução/edição: Rui
Jorge Martins / SNPC







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