Vocação: proclamar o Evangelho da alegria pascal
Vocação: proclamar o Evangelho da alegria pascal
30 Abril, 2020 JM-260
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| Lago de Tiberíades |
O
Papa escolheu a experiência de Jesus e Pedro durante a noite de tempestade no
Lago, para tema da mensagem para o 57º Dia Mundial de Oração pelas vocações “As
palavras da vocação”, a celebrar no dia 3 de maio.
Esta
travessia do Lago de Tiberíades sugere “a viagem da nossa existência”. “De
facto, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre à procura de um local
afortunado para atracar, pronto a desafiar os riscos das ondas do mar, mas sob
a orientação do timoneiro que o coloque na rota certa.”
Lemos
em São Mateus (14, 22-36): «Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem
no barco e fossem para o outro lado. Subiu sozinho a um monte para orar. Ao
anoitecer, o barco já estava a considerável distância da terra, fustigado pelas
ondas, porque o vento soprava contra ele.
Alta
madrugada, Jesus dirigiu-se ao encontro dos discípulos, caminhando sobre as
águas. Quando o viram, ficaram aterrorizados: “É um fantasma!”
Jesus
disse-lhes: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
“Senhor”,
disse Pedro, “se és tu, manda-me ir ao teu encontro”.
“Vem”,
respondeu Jesus.
Pedro
saltou do barco. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e começou a
afundar-se. Gritou: “Senhor, salva-me!” Imediatamente Jesus estendeu a mão
e o segurou. E disse: “Homem de pouca fé, porque duvidaste?”
Quando
entraram no barco, o vento cessou. Quando chegaram a Genesaré, os homens
daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia em toda a região.»
Por
16 vezes fiz a travessia do Lago. É suficientemente grande para fazer mesmo
ondas fortes quando o vento sopra. Mas, no geral, é um lago calmo e sossegado.
Os grupos de peregrinos fazem a travessia para lembrar a tempestade acalmada
por Jesus. Cantamos cânticos de sabor vocacional ou outros. A dado momento, param-se os motores. Faz-se silêncio.
Alguém lê uma passagem da tempestade acalmada por Jesus. Imaginamos Jesus no
meio de nós. Foi assim com os discípulos.
Se
o vento sopra, ficamos aterrorizados. A vocação é uma chamada e um envio. Antes
de embarcar temos de nos questionar: Vou? Vai dar certo? Vou ter coragem? Não
me vou enganar no caminho que vou escolher? Fizemos uma escolha sabendo que a
companhia e a força de Jesus vão connosco. Não vamos sozinhos no barco. E por
isso arriscámos.
Quando
as ondas são mais difíceis de transpor e parece que nos vamos afogar Ele
aparece, e não é um fantasma, mas sim o Ressuscitado a estender-nos a mão e a
encorajar-nos. Remove as pedras duras que aparecem no caminho.
Como
refere São Paulo na 2ª carta aos Coríntios (2 Cor 4, 8-10; 6, 4-10): «Em tudo
somos atribulados… perplexos… perseguidos… abatidos… na muita paciência, nas
aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos
populares, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns… como condenados… tristes…
indigentes…».
As
perseguições de Paulo não são nada perante o sabor de Ressurreição e de vida
que o Senhor nos oferece. Ficam para trás, afundadas nas ondas furiosas que
Jesus acalmou.
Ambos
no barco, vem a bonança. Desabafamos com o Mestre as nossas misérias e dores,
também os dons de Deus em nós. É tempo de reflexão.
Na
vigília pascal deste ano, Francisco disse, que Cristo ressuscitou “para trazer
vida onde havia morte, para começar uma história nova”, e como derrubou a pedra
da entrada do túmulo, “pode remover as rochas que fecham o coração.
A
fé – exortou Francisco – permite caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e
vencer as próprias tempestades. “Ele, quando, por cansaço ou medo, corremos o
risco de nos afundarmos, dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação
com alegria e entusiasmo.”
É
Jesus quem escolhe o padre e o envia em missão (Jo 15, 16). Em nome dEle, o
padre se coloca ao serviço da comunidade cristã: acolhe, perdoa, une a
comunidade e a motiva a viver a fé. Oferece a própria vida por Deus, pelos
irmãos e pelo mundo inteiro
No
dia 25 de abril, na Casa de Santa Marta, o Papa Francisco exortou “A fé ou é
missionária ou não é fé. A fé sempre leva uma pessoa a sair de si; a fé deve
ser transmitida, sobretudo com o testemunho”.
O
Senhor me acompanha. Jamais estou sozinho na transmissão da fé. Ser missionário
significa viver com uma fé de portas abertas, uma fé que é serviço. Com
alegria.
“Sem
alegria não se atrai ninguém” (Reunião do CELAM, Bogotá, 7 de setembro de
2017). No compromisso com a conversão pessoal, comunitária e pastoral a Jesus
Cristo crucificado, ressuscitado e vivo em sua Igreja, renovará o ardor e
paixão por testemunhar ao mundo, através da proclamação e da experiência
cristã, o Evangelho da vida e da alegria pascal.



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