MUNDO Aprovação de Tratado de Comércio de Armas em Assembleia da ONU
MUNDO Aprovação de Tratado de Comércio de Armas em
Assembleia da ONU
Tatiana Félix
02.04.13

Para a Amnistia
Internacional, que defende a campanha Armas sob controle, esse é um
"momento histórico”. "Depois de longos anos de campanha, a maioria
dos Estados concordaram em adoptar um tratado global capaz de impedir que
cheguem armas a países onde se destinarão a cometer atrocidades”, comentou o
director da campanha, Brian Wood.
No entanto, Wood
reconheceu que "como em todas as negociações desta índole, não se
conseguiu tudo o que se pretendia, por exemplo, as munições não estão
plenamente incluídas em todas as disposições do tratado”. Mas, ele explicou que
o documento contém normas sólidas e que é possível fazer reformas futuramente.
Abstenções e
questionamentos
Após 7 anos de
discussões para regular o comércio de armas global, o acordo finalmente
aconteceu hoje após reformulação de alguns pontos frágeis e a retirada da
necessidade de consenso para aprovação. Apesar do apoio da grande maioria das
nações integrantes da ONU, os mesmos três países que se opuseram ao tratado
durante a Conferência na semana passada, também votaram contra o acordo na
Assembleia. Outros 23 países preferiram se abster, entre eles a Rússia e a
China– os principais exportadores de armas; o Egipto, Índia e Indonésia – os
principais compradores – além do Sudão, Bolívia, Nicarágua, Cuba, Venezuela e
Equador, entre outros.
Os países
latino-americanos que se abstiveram alegaram que o tratado tem
"deficiências” e "não é equilibrado”, já que concede privilégios para
os principais países exportadores como os Estados Unidos, além de poder ser
"manipulado politicamente”. Da mesma forma o representante da Rússia disse
que existem "lacunas” no documento que também não esclarece sobre um
controle específico para o fornecimento de armas para rebeliões. Mencionando a
guerra civil que já matou cerca de 70 mil pessoas, a Síria alega que o tratado
não proíbe a venda de armas para grupos não-estatais e rebeldes. Esses países
criticaram a ausência de menção à proibição de transferência de armas a grupos
armados não governamentais.
O objetivo do Tratado é
impedir que países vendam armas convencionais para outras nações quando há
risco de essas armas serem usadas para crimes de guerra, genocídios, violações
de direitos humanos, grupos criminosos ou terroristas. O Tratado obriga os
governos a avaliarem esse risco e verificarem se a transação também não
pretende contornar um embargo internacional. O acordo refere-se apenas às
transações internacionais não interferindo nas leis nacionais. Apesar das
críticas, a Amnistia Internacional afirmou que o tratado é uma homenagem à
sociedade civil e aos governos que defenderam a ideia de salvar vidas.
Com a aprovação do
documento, o Tratado estará aberto a assinaturas a partir do dia 3 de junho, e
apenas entrará em vigor 90 dias após a 50ª ratificação. As nações que
ratificarem o acordo deverão divulgar anualmente um relatório sobre as vendas
de armas.
Estimativas apontam que
o comércio internacional de armas (desde leves até tanques e navios de guerra)
movimenta mais de 70 bilhões de dólares por ano. A Amnistia Internacional
estima que nos próximos quatro anos o comércio anual de armas convencionais,
munições, peças e componentes supere os 100 bilhões de dólares.
ADITAL
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