JUBILEU DOS SACERDOTES Na Eucaristia encontramos todos os dias a identidade de pastores por ARMANDO SOARES

Jubileu dos sacerdotes
Na Eucaristia encontramos todos os dias a identidade de pastores por ARMANDO SOARES
O Papa Francisco presidiu na Praça de São Pedro à Missa
na Solenidade do Coração de Jesus e no Jubileu dos
Sacerdotes, que reuniu em Roma durante três dias mais
de 6.000 sacerdotes e diáconos. «Hoje fixamos o olhar
 emdois corações: o Coração do Bom Pastor
e o nosso de pastores», 
 disse.

O Coração do Bom Pastor é a própria misericórdia. Nele resplandece o amor do Pai; nele tenho a certeza de ser acolhido; nele saboreio a certeza de ser escolhido e amado. Fixando aquele Coração, renovo: a memória de quando o Senhor me tocou e me chamou para segui-lo; a alegria de, à sua Palavra, ter lançado as redes da vida (Lc 5, 5). 
O Coração do Bom Pastor diz-nos que o seu amor não tem limites. Seu Coração está inclinado para nós, especialmente sobre quem está mais distante. À vista do Coração de Jesus, surge a questão fundamental da nossa vida sacerdotal: para onde está orientado o meu coração? Porque, diz Jesus, «onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6, 21).

Os tesouros insubstituíveis do Coração de Jesus são dois: o Pai e nós. As suas jornadas transcorriam entre a oração ao Pai e o encontro com as pessoas. Também o coração do pastor só conhece duas direcções: o Senhor e as pessoas. O coração do sacerdote é um coração firme no Senhor, conquistado pelo Espírito Santo, aberto e disponível aos irmãos. O profeta Ezequiel lembrou-nos que Deus em pessoa procura as suas ovelhas (34, 11.16). Ele «vai à procura da que se tinha perdido» (Lc 15, 4), sem hesitação, não exige pagamento de horas extraordinárias. Não adia a busca mas põe-se imediatamente em campo. Tendo encontrado a ovelha perdida carrega-a aos ombros, cheio de alegria. Umas vezes terá de sair à sua procura, falar-lhe, convencê-la; outras deverá permanecer diante do Sacrário, «lutando» com o Senhor por aquela ovelha. O pastor segundo o coração de Deus não defende as comodidades próprias, não se preocupa por tutelar o seu bom nome, mas será caluniado, como Jesus. Sem medo das críticas, está disposto a arriscar para imitar o seu Senhor. «Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem…» (Mt 5, 11). 

O pastor segundo Jesus tem o coração livre, é um bom Samaritano à procura dos necessitados. Dedica-se à missão, não a cinquenta ou sessenta por cento, mas a 100%..
Não se detém com as decepções; é obstinado no bem. É atraído pelo Tu de Deus e pelo “nós” dos homens.
Cristo ama e conhece as suas ovelhas, dá a vida por elas e nenhuma Lhe é desconhecida (cf. Jo 10, 11-14). O seu rebanho é a sua família. Caminha com elas e chama-as pelo nome (Jo 10, 3-4). E quer reunir as ovelhas que ainda não habitam com Ele (cf. Jo 10, 16). Assim também o sacerdote de Cristo: é ungido para estar perto do povo concreto que Deus, através da Igreja, lhe confiou.

Ninguém fica excluído do seu coração, da sua oração e do seu sorriso. Com olhar amoroso e coração de pai acolhe e, quando tem que corrigir, é sempre para aproximar; não despreza ninguém. Não espera elogios dos outros, mas é o primeiro a dar uma mão. Com paciência, escuta os problemas e acompanha os passos das pessoas, concedendo o perdão divino com generosa compaixão.

A alegria de Deus nasce do perdão, da vida que ressurge, do filho que respira novamente o ar de casa. A alegria de Jesus Bom Pastor é uma alegria pelos outros e com os outros. Esta é também a alegria do sacerdote. É transformado pela misericórdia que dá gratuitamente. Na oração, descobre a consolação de Deus e experimenta que nada é mais forte do que o seu amor. Sente-se feliz por ser um canal de misericórdia, por aproximar o homem do Coração de Deus. Nele a tristeza não é normal; a dureza é-lhe estranha, porque é pastor segundo o Coração manso de Deus.


Queridos sacerdotes, na Celebração Eucarística, reencontramos todos os dias esta nossa identidade de pastores. Podemos fazer verdadeiramente nossas as palavras de Jesus: «Este é o meu corpo que será entregue por vós». É o sentido da nossa vida, são as palavras com que, de certa forma, podemos renovar diariamente as promessas da nossa Ordenação. Agradeço-vos pelo vosso «sim», e por tantos «sins» diários, escondidos, que só o Senhor conhece.  Fonte: ACI digital   in VM julho/agosto 2016

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