ENSINO ESCOLAS CATÓLICAS: a busca da qualidade humana

ENSINO
ESCOLAS CATÓLICAS: a busca da qualidade humana
Colégio Internato dos Carvalhos
Na edição de 12 de outubro dávamos conta da acção do Colégio de Gaia, acolhendo alunas refugiadas e procurando promover a sua formação, olhando-as como pessoas e valorizando o percurso pessoal e dramático das suas vidas.
Mantivemos agora contacto com a revista do Colégio dos Carvalhos, referente ao final do ano lectivo passado, dando conta de um grande número de iniciativas cujo denominador comum é a formação integral dos estudantes que o frequentam.
Encontramos ali testemunho de numerosas iniciativas formativas, desde a ciência ao desporto, desde participação em concursos nacionais e internacionais de diversas áreas (matemática, informática, ciência, várias actividades desportivas) em que se verificou tanto a participação como a obtenção de prémios.
Estes dados levam-nos a uma reflexão sobre a importância das escolas resultantes da iniciativa de instituições da Igreja. Nestes dois casos aproximam-se um colégio diocesano (o de Gaia) e o de uma Congregação religiosa, os Missionários do Coração de Maria, conhecidos como Claretianos, do nome do seu fundador António Maria Claret (1807-1876), sacerdote catalão que foi bispo em Cuba e de quem se conhece intervenção pastoral em Portugal. Curiosamente, isto acontece no dia em que a Igreja celebra a memória de S. António Maria Claret, fundador da Congregação dos sacerdotes do Coração de Jesus, titular daquele colégio.
É conhecida a propensão desta Congregação para a educação, a formação humanística, o ensino e a cultura. A preocupação pela intervenção na acção pedagógica da escola tem sido uma das suas grandes dimensões, em todo o mundo. Na diocese do Porto têm sede nos Carvalhos (freguesia de Pedroso, Vila Nova de Gaia), onde têm o seu seminário e o Colégio Internato dos Carvalhos. São ainda responsáveis pela actividade pastoral, assumindo a paroquialidade de Pedroso e Olival, em Vila Nova de Gaia, e de Nossa Senhora da Areosa, no Porto.
É sabido que várias escolas de inspiração cristã católica ocupam lugares de destaque na seriação das escolas realizada a partir dos resultados dos exames nacionais, conjugados com as classificações internas, a que vulgarmente se chama o “ranking” das escolas. É sabido que esse sistema é criticado sob pretextos diversos, como a origem social dos alunos (supostamente de classes favorecidas), o número de alunos avaliados e as condições favoráveis do ensino. No entanto uma tal classificação, podendo ser falível como qualquer classificação ou avaliação, tem a sua razão de ser e alguma coisa tem de significar.
Porém o mais importante não é a questão da classificação. O mais importante numa escola é a formação humanística, científica, técnica e globalmente equilibrada dos alunos, nas suas dimensões do saber e do equilíbrio humano, físico e psicológico. O mais importante é que as escolas não sejam apenas instrumentos do saber, mas edificadoras de sabedoria.
Ora é certamente nestes domínios que têm pedra de toque as escolas de inspiração cristã. Não sendo confessionais (ao contrário de acusações que infundadamente se propalam), abrindo margens de liberdade à escolha dos alunos, tendo muitas escolas sido pioneiras na coeducação, prestando grande atenção ao humanismo cristão mas também à educação física e ao equilíbrio corporal, acolhendo, ao menos no passado, alunos de zonas rurais que doutra fora não teriam oportunidade de formação e aprendizagem, as escolas de inspiração cristã procuram insuflar na sociedade o profundo sentido da humanidade e do equilíbrio social.
É esta pois a dimensão que importa salientar, para além da boa classificação na seriação nacional das escolas: o seu sentido de edificação e construção do equilíbrio humano.
Ora é esta dimensão que os dois dados que referimos acentuam.
Folheando as revistas dos dois Colégios, podemos verificar a excelência da acção educativa, manifestada nas participações em concursos científicos e técnicos, nos prémios obtidos, no sentido da festa e da alegria que se vê nas celebrações internas (festa de finalistas, grupos de teatro, acção solidária, participação desportiva) que mostram uma vida criadora de horizontes formativos de amplo espectro.
Aí é que está o valor e o mérito. Se isso conduzir ao conhecimento público através da publicação da seriação, tal facto é um elemento positivo para reconhecimento da sociedade.
Há muitas escolas católicas na diocese e no país: em todas elas se podem discernir os mesmos valores. Nelas se pratica a educação com valores. Com valores humanos e valores cristãos, que os mais profundamente humanos.
Por isso saudamos o sentido educativo, festivo e solidário que transparece nas iniciativas divulgadas. Que possa servir de apelo e estímulo a uma sociedade cada vez mais marcada pela superficialidade das referências e das convicções. Novas dinâmicas de vida, novas referências e convicções, novos modelos educativos são indispensáveis, se queremos que a nossa sociedade supere o mundo frívolo e vazio em que se agita e encontre verdadeiras razões de sobreviver com humanidade genuína.

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