JUVENTUDE AOS JOVENS: novo ano lectivo com muita amizade, por Armando Soares

Terminadas as férias de Verão, em que, com certeza muitos dos portugueses aproveitaram para descansar um pouco repousar e conviver mais com os familiares e amigos, e deixastes pegadas na aldeia, na praia, ou noutro lado agradável, ides entrar num novo ano lectivo. Espera-vos um ano de trabalho, de esforço, para progredirdes na ciência e para vos preparardes para o futuro. Não olheis só ao material. Ligai também à formação moral e religiosa na catequese e na formação humana. Sede assíduos.
Estamos num ambiente que se tenta roubar-vos à família, para poderem impingir-vos ideias malucas, que não respeitam nem Deus nem o outro. Preparai o vosso futuro por inteiro: corpo e alma, material e espiritual. Vivei integralmente como pessoas completas. Não façais rupturas na caminhada que Deus traçou para cada um de nós.
Dele saímos, somos peregrinos nesta terra e para Ele voltamos. Ele nos espera e nos chama para a casa verdadeira e para sempre. Uma casa não construída por mão humana. É a felicidade que falta a muitas pessoas que até são inteligentes mas incompletas e insatisfeitas porque fizeram uma ruptura no caminho para Deus e cairão no abismo, não chegando ao termo feliz.
Mas não esqueçais o momento de crise que atravessamos   grande sacrifício que os vossos queridos pais fazem para que estejais na Escola, no Colégio ou na Universidade. Os livros são caros em qualquer das classes em estais matriculados. Feitas as contas dos livros e material escolar, casa a pagar ou da renda, o carro com a sua mensalidade, as facturas da água e da luz, muitas vezes pouco resta para a roupa e para a alimentação. Reparai nessas coisas e nas muitas lágrimas que as vossas queridas mães vão derramar e dos sacrifícios que vão fazer para que não sintais tanto essas carências.
Felicidades, boa caminhada no ano que vos espera. Sede amigos e carinhosos para com vossos pais e queridos avós. Eles precisam muito do vosso afecto, da vossa palavra de gratidão. Já fizeram e continuam a fazer muito por vós. Usam o carro mas talvez nem sempre possam ir buscar-vos pois o combustível. E têm de parar. É o que me acontece a mim, fico parado porque o meu serviço não tem recursos para o meu carro ter combustível para fazer o meu trabalho de jornalista, publicidade, escrever, ir pregar e anunciar a palavra de Deus, animar o grupo de amigos sois vós. Eu gosto de estar convosco, meus sobrinhos e com os Amigos de Verdade, aquele grupo que subiu até cerca de 3 mil pessoas e com qual criei raízes de vida e de missão, que lastimavelmente vejo bloqueada. Mas acredito que sereis vós, os meus amigos, que me irão resolver este problema. Eu preciso de vós, da vossa amizade, da vossa colaboração missionária e vós precisais de mim, da minha estima, da minha palavra de amizade, mas que não basta só na ponta de um telefone, que também me fica caro
Quero que, apesar destas trapalhadas, sintais que continuo a ser o vosso amigo, o vosso “pároco”. Quanta viagens foram autênticos e benéficos retiros espirituais! Guardo vossas palavras de conforto, como as daquela amiga velhinha de Cernache que, já no leito de dor e a chorar me dizia, agarrando-se a mim: “Muito obrigado, foi devido a si que conheci a Terra Santa, Lourdes, Lisieux, La Salette,… e tantos lugares, aonde eu nunca teria ido”. Trata-se duma boa senhora analfabeta, mas que até era um bela cozinheira de grandes famílias. Terminou a sua última viagem e lá nos espera e intercede por nós.
Comecei dirigindo-me aos jovens. Também lembro um Grupo de Jovens que ao chegar a Cucujães, depois duma viagem à Inglaterra e à Escócia, estavam chorando porque tinham de ir para casa e tinham de deixar os amigos. É bonito, não é ? Em Moçambique tinha a paróquia da cidade de Angoche
de dezenas de comunidades, além dos milhares de alunos do Colégio (= Escola Secundária), aqui em Portugal tenho-vos a vós queridos “amigos de verdade” e os numerosos leitores da Boa Nova e da Voz da Missão. Poderíeis ter tido outro pároco ou acompanhante mais vistoso, mais espanpanante, mais engraçado, mais moderno mas, mais amigo, creio que seria difícil encontrardes.
Bom ano lectivo e muitas felicidades. Podeis contar comigo dentro das minhas limitações, de saúde e logísticas.

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