PORTUGAL Governo quer “deitar a mão” às reservas do BdP para “ajudar” défice, acusa Passos

PORTUGAL
Governo quer “deitar a mão” às reservas do BdP para “ajudar” défice, acusa Passos

"Aquilo que é perigoso é ir simplesmente deitar a mão às reservas do Banco de Portugal. Talvez hoje se perceba um pouco melhor esta guerra que tem sido movida contra o governador do BdP e contra o Banco de Portugal" disse o líder do PSD em reação à proposta da esquerda de reestruturação da dívida.
Rafael Marchante/Reuters
“Há uma intenção clara do Governo de poder ir deitar a mão às reservas, ao dinheiro que está no BdP para, como medida extraordinária, ajudar a compor os números do défice”, disse Pedro Passos Coelho, em Beja, durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja, citado pela Lusa.
Pedro Passos Coelho reagia ao relatório do grupo de trabalho formado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda sobre a sustentabilidade da dívida portuguesa, que apresenta uma proposta de reestruturação em 31% para 91,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e pede ao Governo “cenários concretos” de reestruturação para serem utilizados em discussões europeias, avança a agência.
A proposta defendida pelo PS, Bloco de Esquerda prevê uma política de provisões no Banco de Portugal menos conservadora e mais rigorosa. Isto é, a proposta defende que o banco central faça menos provisões para cobrir o risco da dívida pública que está a comprar no âmbito do programa de compra de activos do BCE.
Nas contas do Grupo de Trabalho, se o Banco de Portugal não fizesse mais provisões do que as que já fez em 2015 (480 milhões de euros), pagaria ao Estado, entre dividendos e impostos, mais 450 milhões de euros este ano, e 195 milhões no próximo ano.
O Banco de Portugal está “sobrecapitalizado de uma forma injustificada”, disse hoje João Galamba do PS, “o resultado é o pagamento de menos dividendos e impostos ao Estado, o que acaba por “privar o orçamento e portanto os contribuintes de recursos públicos”.
Segundo o líder do PSD, “os subscritores do documento abdicam de fazer qualquer reestruturação da dívida, e isso é bom, mas depois fazem algumas sugestões para políticas de curto prazo”, as quais, “com excepção de uma, são ou erradas ou perigosas”.
“A excepção é pagar mais depressa ao Fundo Monetário Internacional” (FMI), disse Passos Coelho, referindo ter “pena” que “o actual Governo tenha decidido abrandar o ritmo de pagamento de empréstimos ao FMI”, porque isso permitiria a Portugal “poupar mais dinheiro em juros”.
O “perigoso ou errado” é “encurtar os prazos de emissão de dívida, como é proposto”, o que, “normalmente”, é “o que fazem os credores com pior qualidade e foi o que aconteceu a Portugal até 2011”, disse.
“Aquilo que é perigoso é ir simplesmente deitar a mão às reservas do Banco de Portugal, que já se percebeu que é isso que o PS e o BE querem e este é ponto essencial”, insistiu Pedro Passos Coelho, referindo que “talvez hoje se perceba um pouco melhor esta guerra que tem sido movida contra o governador do BdP e contra o BdP”.
O relatório vem dizer que o país pode “fazer uma diferente gestão em termos de curto e médio prazo da dívida pública portuguesa” e “abdica de fazer uma reestruturação da dívida no seu todo”, disse.
“Do nosso [PSD] ponto de vista é muito positivo”, porque “sempre nos pareceu bastante contraproducente andar todos estes anos a insistir na ideia que era preciso reestruturar a dívida”, argumentou.
O presidente dos social-democratas referiu também que o grupo de trabalho sugere “uma extensão dos prazos dos pagamentos dos empréstimos e deixa em aberto a possibilidade de os países europeus perdoarem uma parte dos juros dessa dívida”, uma proposta que “não tem grande viabilidade”.



Mensagens populares deste blogue

EGIPTO Nova explosão no Egito às portas de outra igreja

SÍRIA Coligação internacional bombardeia barco e mata mulher e filhos

FÁTIMA Centenário das Aparições – Papa Francisco presidirá à canonização de Francisco e Jacinta Marto