IRAQUE CURDISTÃO as crianças de Erbil
IRAQUE
CURDISTÃO
as crianças de Erbil
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| Cristãos refugiados em Erbil (Iraque) 31/12/14 23:25 |
"Antes, vivíamos melhor. Ao menos,
tínhamos escola, vivíamos em prosperidade. Mas aqui, o que é que há? Não há
nada, não temos nada para fazer."
Desde que o
conflito eclodiu na Síria, há 4 anos, cerca de 220.000 pessoas encontram
refúgio, em Erbil, no Curdistão iraquiano. Nos últimos meses, receberam a
companhia de perto de 2 milhões de iraquianos em fuga dos jihadistas. Metade
destes refugiados, mais de 1 milhão, são crianças.
A Unicef classificou 2014 como um “ano
devastador” para milhões de crianças apanhadas no meio de conflitos à volta do
mundo.
Em Erbil, os
mais novos só conhecem a guerra e a violência, um drama complicado, como
explica o diretor de comunicação da Unicef, Jeffrey Bates:
“Aquilo que
para nós é uma emergência, uma crise, para as crianças é o normal. Para elas, o
que é estranho é a vida normal. O que a Unicef e os seus parceiros estão a
tentar fazer é criar uma vida normal para elas. Um campo de refugiados nunca
será uma casa, mas se estas crianças puderem ter locais para jogar, para ir à
escola, para estar com os amigos e com a família, se puderem simplesmente estar
em segurança, isso irá dar-lhes a oportunidade de continuarem a crescer”.
Crianças
felizes é um sonho distante para muitos pais, quase uma utopia, segundo um
refugiado da minoria Yazidi:
“Não há futuro
para os nossos filhos e para nós também não. Os jihadistas ainda controlam
inúmeras regiões aqui à volta. Portanto, não podemos pensar no futuro. É uma
coisa incerta”.
O futuro passa
também pela escolarização das crianças, mas aqui, em Erbil, isso parece
impossível para os Yazidi.
Junto a uma
escola, que foi criada recentemente no campo de refugiados, a enviada da
euronews, Raphaele Tavernier, explica que “as crianças Yazidi não têm acesso à
escola, porque as classes são prioritariamente reservadas aos filhos de Erbil,
mas também porque as aulas são dadas em inglês e em curdo, enquanto a maioria
dos refugiados fala apenas árabe”.
A mesma
constatação num campo de refugiados para cristãos. Faltam atualmente perto de
4000 vagas no ensino primário e muitas mais no básico e no secundário para os
filhos de famílias cristãs. Sem escola e longe de casa, os dias tornam-se
longos e desesperantes para estas crianças desenraizadas. As iniciativas das ONG não chegam
para alegrar o quotidiano destes jovens.
“Antes,
tínhamos a nossa dignidade, a nossa casa, a nossa escola. Aqui não temos nada”,
lamenta uma criança de Bachika.
“Antes,
vivíamos melhor. Ao menos, tínhamos escola, vivíamos em prosperidade. Mas aqui,
o que é que há? Não há nada, não temos nada para fazer”, acrescenta outro
jovem.
“Quero voltar a
casa, a Bachika. Quero regressar”, resume uma rapariga.
Sinal de
esperança, nesta quadra festiva, a inauguração, no dia 11 de dezembro, da
primeira escola prefabricada, no bairro cristão de Ankawa, em Erbil. O edifício
faz parte de um programa de ajuda aos refugiados de uma organização cristã. No
total, 8 escolas devem ser instaladas e estarão a funcionar na região até ao
final de janeiro.



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