VATICANO Papa FRANCISCO encerra ano 2014 em defesa dos pobres
VATICANO
Papa FRANCISCO encerra ano 2014 em defesa dos pobres
31 de
Dezembro de 2014, às 17:21
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(Lusa)
Francisco presidiu a celebração de Vésperas e «Te Deum»
na Basílica de São Pedro
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Cidade
do Vaticano, 31 dez 2014 (Ecclesia) - O Papa presidiu hoje à oração de
vésperas, com o canto do hino 'Te Deum', em agradecimento a Deus pelo ano que
passou, convidando a um “exame de consciência” e à defesa dos pobres.
“É
preciso defender os pobres, não defender-se dos pobres; é preciso servir os
fracos, não servir-se dos fracos”, disse, durante a homilia pronunciada esta
tarde na Basílica de São Pedro.
Francisco
aludiu aos recentes casos de corrupção no Município de Roma e pediu uma
reflexão sobre a “qualidade” da presença dos católicos na cidade e no “serviço
ao bem comum” que fazem na política e nas instituições sociais.
O
Papa apelou a uma “séria conversão dos corações” para permitir um “renascimento
espiritual e moral” e a construção de uma sociedade em que os pobres e
marginalizados estejam “no centro” das preocupações.
A
intervenção apresentou os pobres como um “tesouro”, criticando as políticas que
os “perseguem”, “criminalizam” e obrigam a “ser mafiosos” [‘mafiarsi’, no
original italiano], mergulhando as pessoas na “escravidão” do seu egoísmo.
“Quando
numa cidade os pobres e os fracos são tratados, socorridos e ajudados a promover-se,
eles revelam-se o tesouro da Igreja e um tesouro na sociedade”, sublinhou o
Papa.
Francisco
citou Roberto Benigni, ator e realizador italiano que apresentou um duplo serão
televisivo sobre os 10 Mandamentos, para referir que os israelitas tinham sido
libertados “materialmente” do Egito, mas perante as dificuldades sentiram
“saudades” da escravidão.
“No
nosso coração aninha-se a saudade da escravidão, porque é aparentemente mais
segura”, precisou.
O
Papa apresentou uma reflexão sobre o “tempo”, sobre Deus que se revelou na
História, face ao “fascínio do momento” que leva muitas pessoas a preferir o
“fogo-de-artifício” à “libertação de Deus”.
“Paradoxalmente,
preferimos, mais ou menos inconscientemente, a escravidão. A liberdade
assusta-nos porque nos coloca diante do tempo e diante da responsabilidade de o
viver bem”, afirmou.
Esta
cerimónia no final do ano está tradicionalmente ligada à Cidade de Roma, em que
participam o vigário para a Diocese de Roma, cardeal Agostino Vallini, com
todos os bispos auxiliares.
“Nesta
cidade, nesta comunidade eclesial, somos livres ou somos escravos?”,
questionou.
Em
conclusão, o Papa recorda que o final do ano recorda que existe uma “última
hora” e a “plenitude do tempo”, rezando pela “graça de poder caminhar em liberdade
para poder reparar os muitos danos feitos e poder defender-se da nostalgia da
escravidão”.
Após
a celebração, Francisco visitou o presépio da Praça de São Pedro,
cumprimentando os fiéis que se encontravam no local. OC/AE



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