FOME/países africanos ONU: aumento de conflitos prolongados cria níveis de fome “sem precedentes e inaceitáveis”
FOME/países africanos
ONU: aumento de conflitos prolongados cria níveis de fome “sem
precedentes e inaceitáveis”
31 janeiro 2019
BR
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Relatório de agências da organização aponta cerca de
56 milhões de pessoas que precisam de assistência alimentar e subsistência urgente
em oito áreas; sobem casos de violência contra trabalhadores humanitários.
Um
estudo produzido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação, FAO, e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA, chama atenção
para a fome gerada por conflitos no mundo.
As
agências da ONU alertam que as estatísticas obtidas “são de pessoas reais
experimentando índices de fome que são simplesmente inaceitáveis no século 21.”
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| Distribuição de alimentos pelo PMA no Sudão do Sul, by PMA/Gabriela Vivacqua |
Conselho
de Segurança
De
acordo com o relatório, a situação nos oito locais do mundo com o maior número
de pessoas precisando de assistência alimentar de emergência mostra que a
ligação entre conflitos e fome continua persistente e mortal.
O estudo
foi preparado pelas agências para o Conselho de Segurança. Em maio de 2018, o
órgão adotou uma resolução considerada um marco para a prevenção da fome em
zonas de conflito.
Dados
indicam que a situação no Afeganistão, na República Centro Africana, na
Democrática República do Congo, no Sudão do Sul e no Iêmen piorou na segunda
metade do ano passado, principalmente por causa dos conflitos. Já a Somália, a
Síria e a Bacia do Lago Chade apresentaram melhoras em termos de segurança.
Conflitos
No
total, cerca de 56 milhões de pessoas precisam de assistência alimentar e de
subsistência de emergência em oito zonas de conflito. O diretor-geral
da FAO, José Graziano da Silva disse que “o estudo demonstra claramente o
impacto da violência armada na vida e subsistência de milhões de homens,
mulheres, meninos e meninas afetados por conflitos.”
O relatório também aponta um aumento de violência contra trabalhadores humanitários. Em alguns casos, organizações são forçadas a suspender as operações e privar populações vulneráveis de ajuda humanitária. Em 2018, ocorreram ataques a trabalhadores e instalações em todos os países analisados pelo estudo.
O relatório também aponta um aumento de violência contra trabalhadores humanitários. Em alguns casos, organizações são forçadas a suspender as operações e privar populações vulneráveis de ajuda humanitária. Em 2018, ocorreram ataques a trabalhadores e instalações em todos os países analisados pelo estudo.
O
diretor executivo do PMA, David Beasley, disse que é preciso um “acesso melhor
e mais rápido a todas as zonas de conflito para que se possa chegar a mais
civis que precisam de ajuda.”
Resolução
A
Resolução do Conselho de Segurança 2417 é uma condenação clara da fome como
arma de guerra. O documento apela para que todos as partes em conflitos armados
cumpram suas obrigações de acordo com a Lei Humanitária Internacional para
minimizar o impacto de ações militares nos civis, incluindo a produção de
alimentos e distribuição, e para permitir o acesso humanitário de forma segura
e rápida a civis precisando de assistência alimentar e de saúde.
De
acordo com o estudo, “os milhares de homens, mulheres e crianças que passam
fome por causa de conflitos armados não irão diminuir até que estes princípios
fundamentais sejam seguidos.”
Dados
indicam que o crescente número de conflitos prolongados no mundo está criando
níveis de fome “sem precedentes e inaceitáveis”.
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A fome está a agravar-se no país com 20 milhões de iemenitas,
dois terços da população enfrenta insegurança
alimentar. , by PMA/ Marco Frattini
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Iêmen
O
relatório cita os três anos de conflito no Iêmen como uma forte demonstração da
necessidade urgente de cessar as hostilidades para que se possa lidar com a
maior emergência de segurança alimentar do mundo.
Em
análise sobre o país árabe, o estudo destaca que as partes em conflito
desconsideram o status de proteção das facilidades humanitárias e de
trabalhadores. Com isso, o aumento das operações de prevenção à fome se torna
difícil e perigoso.
Já
a República Democrática do Congo, teve na segunda metade de 2018, o segundo
maior número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda. Foram ao
todo 13 milhões de pessoas nesta situação por causo do aumento de conflitos
armados.
O estudo Monitorando a insegurança alimentar em países em situação de conflito é o quinto do tipo produzido pela FAO e o PMA para o Conselho de Segurança da ONU desde junho de 2016.
O estudo Monitorando a insegurança alimentar em países em situação de conflito é o quinto do tipo produzido pela FAO e o PMA para o Conselho de Segurança da ONU desde junho de 2016.
O
objetivo do estudo é fornecer aos membros do Conselho informações atualizadas
sobre insegurança alimentar e reforçar a necessidade urgente de focar esforços
na resolução de conflitos para acabar com a fome.





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