IDIOMAS/aili Assembleia Geral lança Ano Internacional das Línguas Indígenas
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Assembleia Geral lança Ano Internacional das Línguas Indígenas
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1 fevereiro 2019
Encontro contou com presença de chefe de um clã do Canadá e presidente da Bolívia; María Fernanda Espinosa
disse que línguas indígenas “são muito mais do que ferramentas de comunicação,
são canais de legado humano”.
Centenas
de línguas ancestrais desaparecem nas últimas gerações, levando consigo a
cultura, o conhecimento e as tradições dos falantes. Para preservar as que
sobrevivem, as Nações Unidas lançaram na sexta-feira o Ano Internacional das
Línguas Indígenas.
A
iniciativa começou com um encontro na Assembleia Geral, em Nova Iorque, onde o
chefe do Clã do Urso de Kahnawá: ke, uma comunidade Mohawk do Canadá, fez o
discurso de abertura.
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| Dançarinos Kwakwaka foram um dos participantes do evento na Assembleia Geral, by Foto ONU/Manuel Elias |
Cultura
Kanônó:
kon Hemlock disse que, como povos indígenas, “a saúde das línguas está ligada à
saúde da terra”, que está sendo atacada.
O
líder comunitário explicou que “a ligação e os antigos modos de conhecer a
terra perdem-se quando as línguas se calam.” Ele afirmou ainda que, “para o bem
das gerações futuras, deve-se garantir que elas também possam falar a língua de
seus ancestrais”.
Conhecimento
A
presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, também participou no
encontro. Espinosa destacou a relação próxima entre as línguas indígenas, a
cultura e o conhecimento ancestral, dizendo que “são muito mais do que
ferramentas de comunicação, são canais de legado humano”.
Para
a responsável, "cada língua indígena tem um valor incalculável para a humanidade",
sendo "um tesouro carregado de história, valores, literatura,
espiritualidade, perspectivas e conhecimento, desenvolvido e acumulado ao longo
de milênios."
A
presidente da Assembleia Geral afirmou que "quando uma língua morre, leva
consigo toda a memória dentro dela", incluindo os “vetores de valores,
modos de vida e expressões de suas conexões com a terra.”
As
línguas indígenas também abrem as portas para práticas e conhecimentos
ancestrais, como na agricultura, biologia, astronomia, medicina e meteorologia.
Embora ainda existam 4 mil em todo o mundo, muitas estão à beira da extinção.
Espinosa
afirmou que "este Ano Internacional deve servir como uma plataforma para
reverter a tendência alarmante de extinção das línguas indígenas, recuperá-las
e preservá-las, inclusive com sistemas educacionais que favoreçam o uso da
língua materna.”
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| Bolívia: Evo Morales |
Sobrevivência
O
presidente da Bolívia, Evo Morales, foi outro dos participantes no encontro,
destacando a sobrevivência dos povos e línguas indígenas durante a colonização.
O
responsável disse que a era colonial “tentou colocar nossos anciãos de joelhos
e esmagá-los sob o peso da injustiça."
Morales
pediu que as pessoas trabalhem juntas, através do diálogo, para promover
políticas que ajudem a preservar vidas, identidades, valores e culturas
indígenas.
O
presidente da Bolívia lembrou que existem 770 milhões de indígenas em 90
países, constituindo 6% da população global, mas que representam 15% dos mais
pobres da população.
Morales
disse ainda que "linguagem é cultura, é uma expressão de cosmovisão e é
uma maneira de ver o mundo." Segundo ele, "se as línguas
desaparecerem, as memórias que elas carregam desaparecerão, assim como as
pessoas que as falam".





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