ERITREIA fecha 21 hospitais
ERITREIA fecha 21 hospitais
Governo
da Eritreia fecha 21 hospitais administrados pela Igreja Católica
Centros de atendimento médico
atendiam anualmente cerca de 170 mil pessoas.
04/07/2019 17:57:00 in O SÃO PAULO
Milhares de doentes em toda a Eritreia foram privados de cuidados médicos
vitais depois de o governo ter interditado três hospitais, dois centros de
saúde e 16 clínicas, na última semana de junho. As informações chegaram por
meio de uma fonte da Igreja Católica local, que informou à Fundação Pontifícia
ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) sobre o ocorrido.
De acordo com a fonte, as pessoas correm risco de morte caso os serviços
não sejam retomados rapidamente, sendo que muitos pacientes expulsos tiveram de
percorrer até 25 quilômetros para ter acesso a outra clínica.
O fechamento levou os quatro bispos do País a condenar a ação por meio de
uma carta enviada ao ministro da Saúde da Eritreia, Amna Nurhusein. A carta
enfatiza que o programa de confisco, que fechou todas as instalações do serviço
de saúde da Igreja Católica, alguns deles com mais de 70 anos de atividade, é
“profundamente injusta”.
A carta declara: “Privar a Igreja de cuidar dessas instituições é minar sua
própria existência e expor seus trabalhadores à perseguição religiosa.
Declaramos que não entregaremos nossas instituições e equipamentos de livre e
espontânea vontade”, confirmando o que outra fonte local disse: “A equipe de
algumas das clínicas se recusou a entregar as chaves para que os soldados
invadissem as mesmas”.
O contato da ACN acrescentou: “Nossa mensagem ao governo é simples:
deixe-nos em paz. É dever da Igreja cuidar dos doentes, dos pobres e
moribundos. Ninguém, nem mesmo o governo, pode dizer à Igreja para não fazer o
seu trabalho. Nossas instalações médicas estavam seguindo fielmente as
diretrizes do ministério da saúde e, na maioria das vezes, os supervisores do
ministério apreciavam muito o trabalho realizado”.
A fonte católica disse que o governo queria ser o único provedor de
assistência médica, mas que a maioria das pessoas preferia institutos
administrados pela Igreja, já que os serviços estatais geralmente têm
equipamentos precários e falta de pessoal, e muitos procuram asilo no exterior.
“Ao fornecer esses serviços, a Igreja não está competindo com o governo, mas
está simplesmente complementando e auxiliando o que o governo faz”.
Não está claro se o regime pretende reabrir os institutos mais tarde. O
contato da ACN disse que os centros de saúde católicos confiscados pelo governo
há dois anos continuam fechados até hoje. Ele apelou à comunidade
internacional, incluindo o governo do Reino Unido, para pedir ao governo do
presidente Isaías Afewerki que procure o caminho da reconciliação.
SOBRE A ACN (AJUDA À IGREJA QUE SOFRE)
A ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) é uma instituição de caridade católica que
auxilia a Igreja por meio de informações, orações e projetos de ajuda a pessoas
ou grupos que sofrem perseguição, opressão religiosa e social ou que estejam em
necessidade. Fundada no Natal de 1947, a ACN tornou-se uma Fundação Pontifícia
da Igreja em 2011.
Todos os anos, a instituição atende a mais de 5.000 pedidos de ajuda de
bispos e superiores religiosos em cerca de 140 países. Dentre as solicitações,
estão: formação de seminaristas, impressão de Bíblias e literatura religiosa,
incluindo a Bíblia da Criança da ACN, com mais de 51 milhões de exemplares
impressos em mais de 180 línguas. A instituição também apoia padres e
religiosos em missões e situações críticas, realizando construção e restauração
de igrejas e demais instalações eclesiais. A ACN produz programas religiosos de
comunicação e ajuda aos refugiados de conflitos e vítimas de desastres
naturais.
O São Paulo, com ACN

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