PORTUGAL pobreza habitação
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Cáritas mostra preocupação com «graves problemas» de habitação
Mar 3, 2020 - 11:09
Novo relatório aponta barreiras
no acesso a direitos sociais, que afetam também quem tem emprego
A Cáritas Portuguesa apresentou hoje em
Lisboa um novo estudo sobre as “barreiras” no acesso à habitação, educação,
cuidados de saúde, emprego e outros serviços básicos, que afetam
particularmente “grupos de pessoas vulneráveis”, incluindo trabalhadores
empregados.
Durante o lançamento do estudo, a
organização católica mostrou-se preocupada com o aumento das rendas e do preço
da venda das casas, situação que ultrapassa já as áreas urbanas em Lisboa e no
Porto.
“Temos graves problemas de habitação”,
indicou Filipa Abecasis, responsável pela publicação que faz parte de um
projeto europeu, o “Caritas CARES”, que analisou a situação em 16 países,
incluindo Portugal.
No documento são apresentadas cinco
recomendações ao Governo e outras autoridades locais, como “promover níveis
salariais decentes, inclusive nas medidas de criação de emprego, e ampliar a
garantia de proteção social em caso de desemprego”, mostrando particular
preocupação com os desempregados de longa duração.
A Cáritas Portuguesa propõe ainda que se
invista na habitação acessível, com controlo dos preços de “venda, compra e arrendamento
para os mais vulneráveis”, e a promoção de “serviços de creche com preços
acessíveis” são outras recomendações.
Todos os direitos sociais foram avaliados
como “não totalmente acessíveis”, particularmente pelos grupos vulneráveis da
população, com a pior classificação a corresponder ao acesso à habitação (1 em
5).
Em 2018, a organização católica publicou o
documento ‘Habitação em Portugal na Atualidade’, no qual alerta para as
consequências negativas da austeridade e do aumento da procura turística,
sobretudo nos “centros históricos” de Lisboa e Porto.
O estudo apresentava sugestões para minimizar o
problema habitacional dos mais carenciados, como o alojamento dos sem-abrigo em
“dormitórios comunitários”, construção de habitação social a preços moderados
ou controlados, bem como a criação de uma Lei-Quadro Nacional sobre a
Habitação.
Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas
Portuguesa, disse esta manhã que os problemas identificados são uma “presença
constante” no quotidiano das populações, exigindo “vontade política” para
enfrentar as questões.
O responsável defendeu uma “reformulação
estrutural profunda” da lógica do trabalho em rede, implicando “aqueles a quem
se destina”, para “colocar as pessoas” no centro das políticas.
“Queremos a cura definitiva das feridas
que se abrem”, apelou.
Em declarações à Agência ECCLESIA, o presidente da
Cáritas Portuguesa pede que a “classe política tenha a coragem” de resistir ao
“lóbi financeiro”, combatendo as “assimetrias cada vez mais acentuadas” na
sociedadeO relatório apresentado esta terça-feira antecipa a Semana Nacional Cáritas, que se assinala de 8 a 15 de março.
Para além das atividades
locais e do peditório público nacional, vai decorrer a apresentação do 1º
Caderno de Intervenção Sociopolítica, no dia 10 de março, com a reflexão do
Núcleo de Observação Social da Cáritas.
“Nenhum Governo quis dialogar
connosco sobre as propostas que apresentamos”, lamentou Eugénio Fonseca.
O presidente da Cáritas
Portuguesa apelou a uma “mudança da narrativa” sobre a pobreza,
promovendo o “envolvimento de todos” na sua erradicação.
Na apresentação do relatório ‘Caritas CARES” marcam
presença Manuel Carvalho da Silva, do Centro de Estudos Sociais; Shannon
Pfohman, diretora de Política e Advocacy na Cáritas Europa; a Cáritas Diocesana
de Braga apresenta o projeto MakeBraga, como exemplo de boas práticas na área
da empregabilidade




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