Eutanásia: questão de Estado
Eutanásia:
questão de Estado
D.
Nuno Brás in JORNAL DA
MADEIRA
Uns
projectos-lei apresentados na Assembleia da República querem que o Estado
português providencie no sentido de que sejam mortos aqueles cidadãos que o
requererem. Dizem que faz parte das liberdades e dos direitos humanos.
Deixemo-nos
de rodeios. A questão não é acerca duma liberdade individual. A questão é se
(sim ou não) o Estado português pode aceitar que alguém o obrigue a matar em
determinadas condições.
A
questão é acerca daquilo que o Estado português pode ou não fazer. É a sua
configuração de Estado que está em causa. Portugal reconheceu que a vida humana
não está ao dispor do Estado, recusando há muito a existência da pena de morte.
E
poderá alguém exigir ao Estado que o mate por piedade?
Por
mim, penso que o Estado português não pode aceitar que alguém o obrigue a
matar, por qualquer razão que seja. Toda a vida humana tem uma dignidade tão
grande que ultrapassa qualquer consideração que o Estado ou o próprio cidadão
possam fazer.
Um
Estado que se queira civilizado, a alguém que pede para ser morto, só pode
responder com cuidados. A vida não pode ser eliminada. A vida só pode ser cuidada.



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