Perseguição: dar voz aos perseguidos, são nossos irmãos
1 Março, 2020 JM-232
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| D.R. |
Religiões e fraternidade humana
1.
“Deus está na origem da única família humana. A fraternidade como «vocação»,
funda-se nas raízes da nossa humanidade comum e diz-nos que todos temos igual
dignidade. Somos irmãos. Portanto, ninguém pode ser dono ou escravo dos
outros”, frisou Francisco. Seria uma
grave profanação do nome de Deus utilizá-Lo para justificar o ódio contra o
irmão.
Quanto
ao futuro do diálogo inter-religioso, as religiões não podem renunciar à tarefa
urgente de “construir pontes entre povos e culturas.” “Chegou o tempo de as
religiões se gastarem mais ativamente, com coragem e ousadia e sem fingimento,
em ajudar a família humana a amadurecer a capacidade de reconciliação, a visão
de esperança e os itinerários concretos de paz.”
O
Papa Francisco rejeita o fundamentalismo religioso como uma “praga” e que todos
os crentes se devem comprometer numa atitude de diálogo e cooperação. Assim
falou aos participantes num encontro promovido pelo Instituto para o Diálogo
Inter-religioso, da Argentina, sobre o documento “Fraternidade humana em prol
da paz mundial e da convivência comum” assinado em Abu Dhabi – a 4 de fevereiro
2019 – entre o Papa Francisco e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb.
“A
intenção do documento é adotar a cultura do diálogo como caminho, a colaboração
comum como conduta e o conhecimento recíproco como método e critério”,
precisou.
Perseguição e discriminação
2.
O Papa criticou, no dia 11 dezembro 2019, a perseguição e discriminação contra
cristãos no mundo contemporâneo, falando durante a audiência pública semanal,
ao recordar a experiência dos católicos ucranianos durante o regime soviético.
“Quanto
foram perseguidas essas pessoas, quanto sofreram pelo Evangelho! Mas não
negociaram a fé. Hoje, no mundo, na Europa, muitos cristãos são perseguidos e
dão a vida por causa da sua fé, ou são perseguidos com luvas brancas, deixados
de lado, marginalizados”, referiu, perante milhares de pessoas.
Antes
da audiência geral, Francisco tinha saudado, na Basílica de São Pedro, um grupo
de peregrinos ucranianos que festeja os 30 anos do fim da clandestinidade, após
a “longa opressão do regime soviético”.
“Haverá
sempre mártires entre nós: este é o sinal de que estamos a seguir o caminho de
Jesus”, referiu o Papa.
‘Fenómeno global’ ignorado
3.O
secretário de Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, chamou o bispo
anglicano Philip Mounstephen, de Truro, para liderar uma revisão da política
externa britânica em relação à perseguição aos cristãos.
“A perseguição cristã, como nenhuma outra, é um fenómeno
global” e, como tal, merece atenção especial. Os cristãos são o grupo religioso
mais perseguido no mundo.
”Além
disso, o bispo de Truro argumenta que defender os direitos dos cristãos
significa “ser sensível à discriminação e perseguição a todas as minorias”.
Ignorar a perseguição cristã pode significar que também estamos ignorando
outras formas de repressão. ”
É
vital advogar a liberdade de religião ou crença para todos, e lembrar que em
muitas partes do mundo muçulmanos, budistas, hindus, judeus, adeptos de outras
religiões e pessoas sem fé enfrentam severa perseguição em muitos países.
Analfabetismo religioso
4.
O Reino Unido usa sua rede diplomática para incentivar os países a fornecer
segurança adequada para as minorias ameaçadas. Tem excelentes diplomatas que se
preocupam com a liberdade de religião ou crença. Um dos grandes desafios
que a comunidade cristã enfrenta é o analfabetismo religioso,
dentro e fora da Igreja.
Hunt
mostrou grande visão e liderança: reconheceu que uma área essencial dos
direitos humanos não estava recebendo a atenção que merece e tomou medidas para
resolvê-la. O bispo de Truro prestou um grande serviço, dando voz aos
perseguidos por sua fé.
Numa
iniciativa da Fundação AIS pretende-se combater a indiferença da sociedade
perante a perseguição aos cristãos: uma jornada de sensibilização iluminando a
vermelho, “a cor que simboliza o sangue dos mártires”, vários monumentos,
“decorrendo em todos eles momentos de oração pelos Cristãos perseguidos”.
Perante
realidade, em que “milhões de pessoas” em todo o mundo – Médio Oriente, Ásia e
África especialmente, em situações dramáticas e em crescente hostilidade – “não
podem professar a sua fé em liberdade, pois são perseguidas, intimidadas,
presas e muitas vezes mortas, impõe-se a mobilização da sociedade”, alerta.
Outros
países se associaram a esta iniciativa da Fundação AIS: Alemanha, Chile,
Estados Unidos, Austrália, Canadá, Reino Unido, Áustria, Holanda, Eslováquia,
Filipinas e Itália.

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