Perseguição: dar voz aos perseguidos, são nossos irmãos
D.R.

Religiões e fraternidade humana
1. “Deus está na origem da única família humana. A fraternidade como «vocação», funda-se nas raízes da nossa humanidade comum e diz-nos que todos temos igual dignidade. Somos irmãos. Portanto, ninguém pode ser dono ou escravo dos outros”, frisou Francisco. Seria uma grave profanação do nome de Deus utilizá-Lo para justificar o ódio contra o irmão. 
Quanto ao futuro do diálogo inter-religioso, as religiões não podem renunciar à tarefa urgente de “construir pontes entre povos e culturas.” “Chegou o tempo de as religiões se gastarem mais ativamente, com coragem e ousadia e sem fingimento, em ajudar a família humana a amadurecer a capacidade de reconciliação, a visão de esperança e os itinerários concretos de paz.”
O Papa Francisco rejeita o fundamentalismo religioso como uma “praga” e que todos os crentes se devem comprometer numa atitude de diálogo e cooperação. Assim falou aos participantes num encontro promovido pelo Instituto para o Diálogo Inter-religioso, da Argentina, sobre o documento “Fraternidade humana em prol da paz mundial e da convivência comum” assinado em Abu Dhabi – a 4 de fevereiro 2019 – entre o Papa Francisco e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb.
“A intenção do documento é adotar a cultura do diálogo como caminho, a colaboração comum como conduta e o conhecimento recíproco como método e critério”, precisou.

Perseguição e discriminação  
2. O Papa criticou, no dia 11 dezembro 2019, a perseguição e discriminação contra cristãos no mundo contemporâneo, falando durante a audiência pública semanal, ao recordar a experiência dos católicos ucranianos durante o regime soviético.
“Quanto foram perseguidas essas pessoas, quanto sofreram pelo Evangelho! Mas não negociaram a fé. Hoje, no mundo, na Europa, muitos cristãos são perseguidos e dão a vida por causa da sua fé, ou são perseguidos com luvas brancas, deixados de lado, marginalizados”, referiu, perante milhares de pessoas.
Antes da audiência geral, Francisco tinha saudado, na Basílica de São Pedro, um grupo de peregrinos ucranianos que festeja os 30 anos do fim da clandestinidade, após a “longa opressão do regime soviético”.
“Haverá sempre mártires entre nós: este é o sinal de que estamos a seguir o caminho de Jesus”, referiu o Papa.

‘Fenómeno global’ ignorado 
3.O secretário de Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, chamou o bispo anglicano Philip Mounstephen, de Truro, para liderar uma revisão da política externa britânica em relação à perseguição aos cristãos.
 “A perseguição cristã, como nenhuma outra, é um fenómeno global” e, como tal, merece atenção especial. Os cristãos são o grupo religioso mais perseguido no mundo. 
”Além disso, o bispo de Truro argumenta que defender os direitos dos cristãos significa “ser sensível à discriminação e perseguição a todas as minorias”. Ignorar a perseguição cristã pode significar que também estamos ignorando outras formas de repressão. ”
É vital advogar a liberdade de religião ou crença para todos, e lembrar que em muitas partes do mundo muçulmanos, budistas, hindus, judeus, adeptos de outras religiões e pessoas sem fé enfrentam severa perseguição em muitos países.

Analfabetismo religioso
4. O Reino Unido usa sua rede diplomática para incentivar os países a fornecer segurança adequada para as minorias ameaçadas. Tem excelentes diplomatas que se preocupam com a liberdade de religião ou crença.  Um dos grandes desafios que a comunidade cristã enfrenta é o analfabetismo religioso, dentro e fora da Igreja.  
Hunt mostrou grande visão e liderança: reconheceu que uma área essencial dos direitos humanos não estava recebendo a atenção que merece e tomou medidas para resolvê-la. O bispo de Truro prestou um grande serviço, dando voz aos perseguidos por sua fé.
Numa iniciativa da Fundação AIS pretende-se combater a indiferença da sociedade perante a perseguição aos cristãos: uma jornada de sensibilização iluminando a vermelho, “a cor que simboliza o sangue dos mártires”, vários monumentos, “decorrendo em todos eles momentos de oração pelos Cristãos perseguidos”.
Perante realidade, em que “milhões de pessoas” em todo o mundo – Médio Oriente, Ásia e África especialmente, em situações dramáticas e em crescente hostilidade – “não podem professar a sua fé em liberdade, pois são perseguidas, intimidadas, presas e muitas vezes mortas, impõe-se a mobilização da sociedade”, alerta.
Outros países se associaram a esta iniciativa da Fundação AIS: Alemanha, Chile, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Reino Unido, Áustria, Holanda, Eslováquia, Filipinas e Itália.

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