NIGÉRIA Igreja denuncia terror
NIGÉRIA Igreja denuncia terror
Nigéria: Igreja mobiliza centenas de pessoas para denunciar terror do
Boko Haram
Por Fundação
AIS
5 Março, 2020
![]() |
| D.R. |
Centenas de pessoas
juntaram-se no domingo em protesto na capital da Nigéria contra o “alto
nível de insegurança” que se vive no país, em resultado dos contínuos ataques
por parte do grupo terrorista Boko Haram.
Liderada pelos bispos
nigerianos, a manifestação reuniu sacerdotes, religiosas e leigos, “em nome dos
mais de 22 milhões de católicos e dos mais de 100 milhões de cristãos” do país,
e em protesto, como explicou D. Augustine Akubeze, “contra o
assassinato brutal de nigerianos inocentes”.
Por coincidência, no
próprio domingo, dia 1 de Março, em consequência de diversos ataques no estado
de Kaduna, situado no norte do país, mais de meia centena de pessoas foram
mortas em diversas aldeias, nomeadamente Kerawa, Zareyawa e Minda,
havendo ainda o registo de casas incendiadas e saqueadas.
O Arcebispo Akubeze,
presidente da Conferência Episcopal, usou da
palavra para reclamar contra “os sequestros para a obtenção de resgates, que
acontecem em todas as partes da Nigéria”, afirmando que estavam ali também para
lamentar todas as “mulheres, crianças, bebés e homens mortos pelos
terroristas”.
D. Augustine Akubeze fez
questão de dizer ainda que a manifestação era também “para informar o Governo”
que os cristãos sentem-se “cansados de ouvir” dizer que os terroristas “do Boko Haram foram
‘tecnicamente derrotados’, mesmo quando ainda [nos] atacam impunemente”.
Num claro protesto
contra a ineficácia das autoridades face à violência sem fim que tem atingido
algumas regiões da Nigéria, especialmente no norte do país onde o Boko Haram
procura instaurar um ‘califado’, o líder da Conferência Episcopal desafiou o
presidente nigeriano Mohammadu Buhari a assumir
as suas responsabilidades, protegendo as vidas e os bens das populações e
levando os responsáveis à justiça.
Na ocasião, fez ainda um
apelo à comunidade internacional para “ajudar a Nigéria” e aos jornalistas
ocidentais para falarem das “lágrimas e dores dos cristãos perseguidos
indefesos” neste país africano. “Se os meios de comunicação social do Ocidente
fizerem uma cobertura abrangente e constante às atrocidades que ocorrem na
Nigéria”, o mundo descobrirá, disse o Arcebispo, “que as pessoas estão a morrer
todos os dias na Nigéria às mãos do Boko Haram da mesma maneira que as pessoas
estão a morrer na Síria.”
Esta manifestação
ocorreu poucos dias depois de o Bispo de Maiduguri ter
enviado também uma carta a todos os sacerdotes, religiosas e leigos da sua
diocese.
Nessa missiva, que fez
chegar também à Fundação AIS, D. Oliver Doeme
Dashe fala da onda de violência que se tem abatido sobre a sua diocese mas
também sobre o norte do país que desde 2009 tem estado a ser sujeito a
constantes ataques por parte do Boko Haram, um grupo jihadista que se tem
revelado particularmente impiedoso para com a comunidade cristã.
Na carta, D. Oliver
Doeme fala essencialmente no Boko Haram mas refere também outros responsáveis
pela “tortura impiedosa e eliminação da vida de nigerianos inocentes”. É o caso
dos “pastores Fulani, raptores e ladrões armados, entre outros” grupos.
Classificando estes
grupos como “agentes do diabo”, o prelado acusa-os de terem causado “a
destruição sem sentido de vidas e de propriedades na maioria das áreas
abrangidas pela nossa diocese e, de facto, em toda a parte nordeste do país”.
Uma situação que se tem agravado nos últimos tempos. “Recentemente, os ataques
foram muito graves”, reconhece o Bispo, acrescentando que, “desde Dezembro do
ano passado, até ao momento, vivemos uma série de ataques, muitos deles
direccionados apenas aos Cristãos.”
Entre os casos “muito
graves” que ocorreram em Dezembro do ano passado, “e que não podemos
simplesmente esquecer”, D. Oliver Dome refere “o massacre de 11 cristãos” no
dia de Natal, “o assassinato de duas das nossas jovens cristãs em Gwoza, a
caminho do casamento de uma delas”, o assassinato “de dois rapazes cristãos e o
rapto de duas jovens cristãs que acompanhavam esses rapazes a caminho de
Monguno”.
Perante a evidência de
que esta violência, que dura já há mais de uma década, não dá sinais de
abrandar, o Bispo de Maiduguri apela à oração de todos. E dá como exemplos a
seguir “o jejum e a oração no final do mês”, assim como “uma hora de adoração
ao Santíssimo antes das Missas da manhã em todas as paróquias e instituições”,
e ainda “a oração do Terço com o povo”.
A mensagem termina com
um apelo para que “ninguém tenha dúvidas, desespero ou desânimo”, pois “a nossa
Mãe Maria nunca nos desiludirá”. “Ela irá seguramente esmagar o Boko Haram e
outras forças do mal na nossa diocese e para além dela.”



Comentários
Enviar um comentário