CORONAVÍRUS Combater o medo
CORONAVÍRUS
Combater o medo
Para combater o medo há
dois requisitos essenciais: a recusa da passividade e o conhecimento do
“inimigo”.
O medo acorda a lucidez, e
neste sentido pode ser benéfico, pois encolhendo o espaço, suspende o tempo,
limita o universo a algo que nos aprisiona e nos confunde. Assim, quanto
mais ativos estivermos, mais aptos, mais fortes para afastar o medo.
Comunicar com os outros e com
a comunidade é alargar os limites do espaço e do tempo, é tomar consciência de
que o nosso mundo se estende muito para além dos quartos a que estamos
confinados.
Assim o entenderam os
napolitanos que se puseram a cantar à noite, de varanda para varanda,
exorcizando o medo e criando um novo espaço público comum.
Este medo da morte
é uma espécie de terror ‘miudinho, subterrâneo e permanente’, que toma
conta da vida. Como se a morte, enquanto avessa da vida, viesse ocupar o
terreno do nosso tempo quotidiano.
É contra esta tendência de
medo que é preciso lutar. Qualquer um, estrangeiro ou familiar, pode
infetar-nos. O contacto passa a ser perigo e ocasião de morte possível, e todo
o encontro, um mau encontro.
O outro é o mal radical. É o
inimigo. O plano relacional sofre um abalo profundo. O laço social, que se
enraíza no “amor” ao outro (como afecto gregário da espécie), ameaça romper-se.



Comentários
Enviar um comentário