PANDEMIA: Papa «CORAGEM!»
PANDEMIA: Papa «CORAGEM!»
No drama da pandemia, Jesus diz a cada um: Coragem!
Papa: no drama da pandemia, pedir a graça de viver para
servir.
Por
Vatican News
5 Abril, 2020
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| Foto: Vatican Media |
Em
meio à pandemia, não só a Praça São Pedro vazia, mas também a Basílica
Vaticana, onde o Papa Francisco presidiu à celebração eucarística neste Domingo
de Ramos.
Com o Pontífice, o
mestre das cerimónias litúrgicas, mons. Guido Marini, poucos diáconos, um único
cardeal, alguns leigos e religiosas. Também o coral foi em número reduzido.
As oliveiras e os ramos
perto do altar da Cátedra lembravam a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém.
Na homilia,
o convite do Papa foi para se deixar
guiar pela Palavra de Deus na Semana Santa, que, quase como um refrão,
mostra Jesus como servo: na Quinta-feira Santa, é o
servo que lava os pés aos discípulos; na Sexta-feira Santa, é apresentado como
o servo sofredor e vitorioso (cf. Is 52, 13); e já amanhã, Isaías
profetiza: «Eis o meu servo que Eu amparo» (42, 1).
“Deus salvou-nos, servindo-nos. Geralmente pensamos que somos
nós que servimos a Deus. Mas não; foi Ele que nos serviu gratuitamente, porque
nos amou primeiro. É difícil amar, sem ser amado; e é ainda mais difícil
servir, se não nos deixamos servir por Deus.”
Traição e abandono
O Senhor, explicou o
Papa, nos serviu dando a sua vida por nós, a ponto de experimentar as situações
mais dolorosas para quem ama: a traição e o abandono.
Jesus sofreu a traição
do discípulo que O vendeu e do discípulo que O renegou, foi traído pela multidão,
pela instituição religiosa e pela instituição política.
Quando sofremos
traições, a vida parece deixar de ter sentido. Isso porque nascemos para ser
amados e para amar.
“Olhemos dentro nós
mesmos; se formos sinceros para conosco, veremos as nossas infidelidades. Tanta
falsidade, hipocrisia e fingimento! Tantas boas intenções traídas! Tantas
promessas quebradas! Tantos propósitos esmorecidos! O Senhor conhece melhor do
que nós o nosso coração; sabe como somos fracos e inconstantes.”
O que Ele faz para nos
servir é tomar sobre Si as nossas infidelidades, removendo as nossas traições. Assim, nós, em vez de desanimarmos
com medo de não ser capazes, podemos levantar o olhar para o Crucificado e
seguir em frente.
Meu Deus, meu Deus, por que Me
abandonaste?
Sobre o abandono
de Jesus, nada é mais impressionante do que as palavras pronunciadas por
Ele na cruz: Meu Deus, meu Deus, por
que Me abandonaste?
No abismo da solidão,
pela primeira vez Jesus O designa pelo nome genérico de «Deus». Na realidade,
explicou Francisco, trata-se das palavras de um Salmo (cf. 22, 2), que dizem
como Jesus levou à oração inclusive a extrema desolação.
O porquê de tudo isto,
mais uma vez encontramos na palavra serviço. Jesus morreu por nós, para nos servir. Lembremo-nos de que não estamos sós:
“Hoje, no drama da
pandemia, perante tantas certezas que se desmoronam, diante de tantas
expetativas traídas, no sentido de abandono que nos aperta o coração, Jesus diz
a cada um: Coragem! Abra o coração ao meu amor.”
Estamos no mundo para
amar a Ele e aos outros, disse ainda o Papa: “o resto passa, isto permanece. O
drama que estamos atravessando impele-nos a levar a sério o que é sério, a não
nos perdermos em coisas de pouco valor; a redescobrir que a vida não serve, se não se serve. Porque a
vida mede-se pelo amor”.
Jovens: viver para servir
A exortação do
Pontífice, nestes dias da Semana Santa, em casa, é permanecer diante do
Crucificado. Diante de Deus, pedir a graça de viver
para servir. “Procuremos contactar quem sofre, quem está sozinho e necessitado.
Não pensemos só naquilo que nos falta, mas no bem que podemos fazer.”
A senda do
serviço, concluiu Francisco, é o caminho vencedor, que nos salvou e salva a
vida. E essas palavras foram dedicadas aos jovens, que hoje celebram a 35
Jornada Mundial da Juventude:
“Queridos amigos, olhem
para os verdadeiros heróis que vêm à
luz nestes dias: não são aqueles que têm fama, dinheiro e sucesso, mas aqueles
que se oferecem para servir os outros. Sintam-se chamados a arriscar a vida.
Porque a maior alegria é dizer sim ao amor, sem se nem mas… Como fez Jesus por
nós.”
Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano



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