AMBIENTE/plásticosnarua Não, não é um nevão. Assim ficaram as ruas de Ponta Delgada após a folia
AMBIENTE/plásticosnarua
Não, não é um nevão. Assim ficaram as ruas de Ponta Delgada após a
folia
À distância, pode parecer um
nevão. A realidade, contudo, é bem diferente.
POR Melissa Lopes
É Carnaval, ninguém leva a mal.
A não ser o ambiente. As imagens que se seguem são das ruas de Ponta Delgada,
nos Açores, e mostram o cenário ‘plastificante’ pós festa de Carnaval.
As fotografias e vídeos são
partilhados pela Associação Amigos do Calhau. Com a divulgação do retrato pós
Carnaval, a associação pretende, de alguma forma, contribuir para educar a
nossa sociedade, uma vez que, em matéria de ambiente, “ainda muito há a fazer”.
Esta associação conta que esta
quarta-feira as ruas já estão limpas, mas lamenta que muito desse plástico
tenha ido parar ao mar devido ao vento, chuva e esgotos que vão dar ao mar.
“Tem de se mudar mentalidades”, insiste em declarações ao Notícias ao Minuto.
Uma
questão de tradição e um contra senso
As imagens mostram um cenário
que, a olho nu, até pode assemelhar-se a um nevão. Um piscar de olhos e a
realidade fica a vista. Não se trata de neve mas sim de sacos de plástico, que
resultam de uma tradição chamada ‘guerra de limas’.
“A tradição começou por ser
uma 'guerra de flores', há mais de 100 anos. Depois passou a ser a guerra de
"limas", feitas de cera e com água dentro. Quando começaram a fazer
em sacos de plástico, que são muito baratos e muito mais fáceis de fazer,
tornou-se na desgraça ambiental que existe agora”, conta, sublinhando que
alguns grupos começam a preparar os sacos com um mês de antecedência, e “há
milhares e milhares” deles.
A mesma associação
lamenta ainda que a autarquia de Ponta Delgada patrocine o evento,
configurando isso um contrassenso que “vai contra as ideias que apregoam de
querer proteger o ambiente”.
"Mesmo que se recolham os
sacos que não vão parar diretamente ao mar, que serão muitos, a maioria irá
parar a aterro, e aí degradar-se o que irá causar os problemas já conhecidos -
microplásticos que vão parar à nossa alimentação mais tarde ou mais cedo",
lembra, notando que não tem nada contra as diversões.
Mais, mesmo que fossem
reciclados, aponta a associação, "a reciclagem é uma solução 'de última
linha', o ideal é não produzir plásticos - a reciclagem consome energia,
recursos..."
Estas tradições "têm de
ser regulamentadas de modo a evitar estas situações, que contrariam e agridem a
ideia dos Açores 'certificados pela Natureza'", defende, por fim a
associação.



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