CIÊNCIA MULHERES/DeusFuturo Mulheres, Deus e o futuro. Os mistérios que Stephen Hawking quis desvendar
MULHERES/DeusFuturo
Mulheres, Deus e o
futuro. Os mistérios que Stephen Hawking quis desvendar
E MARÇO DE
2019 - 08:19 REUTEURS|TSF
A breve história de uma vida cheia e os alertas para o
futuro de Stephen Hawking, no dia em que passa um ano da morte do físico.
Carolina
Rico
Stephen Hawking nunca esteve preso no próprio
corpo. A tecnologia permitiu-lhe viajar pelo mundo e comunicar, a mente levou-o
até aos confins do Universo. Dizia o físico britânico que "a vida seria trágica se não fosse divertida" e foi com
sentido de humor que desafiou uma doença incapacitante e se tornou um dos
maiores cientistas do século XX.
Diagnosticado aos 21 anos com Esclerose Lateral
Amiotrófica, os médicos deram-lhe entre dois e cinco anos de vida. Viveu até ao
dia 14 de março de 2018, tinha 76 anos.
Além de trabalhar como investigador na Universidade de
Cambridge até aos últimos dias de vida, deu palestras em todo o mundo. Casou
duas vezes, teve três filhos, e até experimentou a gravidade zero a bordo de um
Boeing 727 modificado, em 2017. "Para mim foi pura liberdade (...), fui o
super-homem durante aqueles escassos minutos", dizia.
Sempre pronto para uma piada
Hawking dizia que não tinha medo de morrer, mas também
não tinha pressa. Manter uma mente ativa era o segredo da sua longevidade, a
par com o seu sentido de humor. "Não há nada como aquele sentimento de
'Eureka', quando se descobre alguma coisa que ninguém sabia antes. Não o vou
comparar ao sexo, mas dura mais tempo", disse numa palestra na
Universidade do Arizona, EUA, em 2011.
Em 1985 uma pneumonia danificou-lhe as cordas vocais e
impediu-o de voltar a falar. Antes do software que lhe deu a voz robótica
mundialmente conhecida, apenas meia dúzia de pessoas o compreendia. Precisava
de um 'tradutor' em entrevistas e de um assistente para escrever o seu
trabalho. "O sintetizador dá-me um sotaque americano", dizia.
Foi também com sentido de humor que Hawking aceitou
participar em séries como "Star Trek" ou a "Teoria do Big
Bang".
Os Simpsons transformaram-no numa das suas personagens
amarelas:
E até fez um anúncio publicitário... para a Jaguar.
Famoso. Mas
porquê?
É difícil para um leigo compreender algumas das teorias
de Stephen Hawking, ainda que este sempre tenha tentado tornar as suas ideias
acessíveis a todos.
Hawking celebrou-se por questionar a Teoria da
Relatividade Geral de Albert Einstein, pelo estudo das ondas gravitacionais,
pelo papel crucial na demonstração da Teoria do Big Bang. A teoria de que os buracos negros não aprisionam a
matéria na totalidade e que podem emitir uma radiação térmica, a agora
designada Radiação de Hawking" - é talvez o seu maior legado. Mudou tudo o
que se pensava sobre buracos negros.
Era um físico teórico e, talvez por isso, nunca ganhou
um prémio Nobel, mas trabalhou até aos últimos dias de vida e o seu último
artigo científico - Hole Entropy and Soft Hair - foi tornado
público já depois da sua morte. "Uma Breve História do Tempo", o seu
livro com maior sucesso, vendeu mais de 25 milhões de cópias.
A verdade é que o físico tinha uma legião de fãs para
além dos amantes da ciência. Nunca quis ser uma figura pública, mas dizia que
se fosse esse o preço para encorajar "mais pessoas a questionar o
Universo" era bem capaz de viver como um ícone da cultura popular.
Questionava-se, sobretudo, se seria "tão
famoso pela cadeira de rodas e incapacidades como pelas descobertas".
O maior mistério do Universo? As mulheres
Numa entrevista, Larry King perguntou a Stephen Hawking
o que o deixava mais intrigado em todo o Universo. O físico terá respondido:
"As mulheres".
O britânico foi casado duas vezes, a primeira com Jane
Wild (na foto à esquerda), em 1965, com quem teve três filhos. Divorciou-se em
1991 e em 1995 voltou a casar com Elaine Mason (na foto à direita), de quem
também se viria a divorciar.
Com sua esposa Elaine |
Jane Wild apaixonou-se por um estudante inteligente e
achou que, apesar da doença, conseguiria cuidar dele. O amor entre os dois
acabou por não sobrevier ao corrupio de enfermeiras que passou a fazer parte da
vida familiar do casal e dos filhos.
Com o livro "Uma Breve História do Tempo", que
vendeu mais de 25 milhões de cópias, chegou o dinheiro e a fama e, conta Jane,
as enfermeiras passaram a trata-lo como um ídolo, enquanto ela continuava a
rejeitar tratar o marido como uma celebridade.
Com base no livro "Viagem ao Infinito - a
extraordinária história de Jane e Stephen Hawking", escrito por Jane Wilde
Hawking, a história do casal foi retratada no filme "A Teoria de
Tudo", de James Marsh (2014).
Perante as dificuldades, Jane refugiava-se em Jonathan
Jones - o seu atual marido e com quem começou um relacionamento quando ainda
era casada, enquanto Stephen Hawking se tornava cada vez mais próximo de uma
das suas enfermeiras, Elaine Mason.
A lua-de-mel durou pouco tempo. A antiga enfermeira
ficou conhecida em Inglaterra como "O Monstro" e "O
Pesadelo" e foi acusada de infligir maus tratos a Hawking durante anos.
Está agora a ser acusada de má conduta e de negligência.
Outra das suas enfermeiras, Patricia Dowdy, também está
a braços com as mesmas acusações.
Deus sempre foi outro
grande mistério na vida do físico. Se nos primeiros anos de vida se podia dizer agnóstico
e abordava o tema em muitos dos seus discursos e entrevistas, Stephen Hawking
acabou por negar completamente a existência de Deus. As suas cinzas estão
sepultadas sob o teto da Abadia de Westminster, em Londres, ao lado de Isaac
Newton e Charles Darwin.
Foto: Lucas Jackson/Reuters
Medos? Aliens, robôs e... aquecimento global
Um ano depois da morte do físico, nenhuma das suas
muitas previsões se tornou realidade. Num discurso através de videochamada na
Web Summit em Lisboa, em 2017, Stephen Hawking deixou um alerta para o que
acreditava ser um dos maiores riscos para a humanidade: a Inteligência
artificial.
Stephen Hawking tinha
uma visão negra do futuro. Acreditava que os robôs poderiam um dia substituir os humanos e que
extraterrestres não visitariam a Terra tão cedo, mas quando o fizessem teriam
intenções de atacar e colonizar o planeta.
O aquecimento global era outra das suas preocupações.
Para sobreviver à extinção, previa, a espécie humana só tem uma hipótese:
encontrar outro lugar para viver, noutro sistema solar, algures no Universo que
ainda desconhecemos.
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