EUROPA/sonho dos fundadores Papa deseja que projeto europeu recupere «sonho» dos seus fundadores
EUROPA/sonho dos fundadores
Papa deseja que projeto europeu recupere «sonho» dos seus fundadores
Jun 2, 2019 - 20:45
«Que a Europa não se deixe
vencer pelo pessimismo e pelas ideologias», disse Francisco, após viagem à
Roménia
O Papa disse hoje - 2 jun 2019 - em
conferência de imprensa que o projeto europeu tem de recuperar o “sonho” dos
seus fundadores para combater sinais de crise e de divisão no seu seio.
“É preciso retomar a mística dos pais fundadores, reencontrar-se e superar
as divisões das fronteiras. Estamos a ver fronteiras na Europa e isso não é
bom; é verdade que cada país tem a sua própria identidade e deve preservá-la,
mas, por favor, que a Europa não se deixe vencer pelo pessimismo e pelas
ideologias”, referiu, em conversa com os jornalistas após uma viagem de três
dias à Roménia.
Na União Europeia desde 2007, a Roménia tem neste semestre, pela primeira
vez, a presidência de turno do Conselho Europeu.
“Todos somos responsáveis pela União Europeia e a rotatividade da
Presidência da UE não é um gesto de cortesia, mas sim um símbolo da
responsabilidade de cada um dos países”, sublinhou Francisco.
O Papa recordou algumas das suas intervenções sobre o projeto comunitário
e sustentou que a Europa tem de ser “grande” face aos desafios futuros, para
que este não seja o “fim da aventura que começou há 70 anos”.
“Vamos aprender com a história, não voltemos atrás”, pediu.
A respeito da recente campanha para as Europeias, o Papa foi interrogado
sobre o uso de símbolos católicos por parte de políticos na Itália, mas evitou
comentar casos específicos.
“Devemos ajudar os políticos a ser honestos e a não fazer campanha com
bandeiras desonestas, calúnias, difamações, escândalos, e tantas vezes semeiam
ódio e medo. Isto é terrível. O político não deve semear ódio e medo, somente
esperança, correta, exigente, mas somente esperança”, declarou.
No início do diálogo com os jornalistas, o pontífice recordou o Dia
Mundial das Comunicações Sociais que a Igreja Católica celebrou neste domingo.
“O nosso pensamento vai para todos vocês que trabalham na comunicação, são
operadores e são, ou deveriam ser, testemunhas da comunicação. Hoje a
comunicação recua, em geral. Vai mais longe no ‘contacto’, fazer ‘contactos’ e
não consegue comunicar”, apontou, pedindo a todos “menos contactos e mais
comunicação”.
Questionado sobre as consequência da forte emigração que afeta a Roménia,
Francisco lamentou a “falta de solidariedade” a nível mundial, pedindo mudanças
na “ordem financeira”.
O Papa falou ainda das
relações ecuménicas com o mundo ortodoxo, elogiando o patriarca romeno, Daniel,
“um homem de grande coração”, e destacou a importância de ter os cristãos a
trabalhar em conjunto, em favor dos mais necessitados.
“As pessoas vão além de nós, líderes. Nós devemos fazer equilíbrios
diplomáticos para garantir que caminhamos juntos, há hábitos que é bom
conservar para que as coisas não se arruínem, mas as pessoas também rezam
juntas”, acrescentou.
Francisco deixou ainda uma palavra de saudação ao seu predecessor, o Papa
emérito Bento XVI, explicando que continua a falar com ele e a vê-lo como uma
referência, precisando que, na Igreja Católica, a tradição não é “uma coisa de
museu”, mas está “sempre em movimento”.
“A tradição não conserva as cinzas, esta é a nostalgia dos integristas,
regressar às cinzas, não. A tradição são as raízes que permitem que a árvore
cresça e dê fruto”, apontou. OC|Ecclesia



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