MULHER/naIgreja e na sociedade Cultura: Debater «a Mulher na Sociedade e na Igreja» ou o papel do homem?
MULHER/naIgreja e na sociedade
Cultura: Debater «a Mulher na Sociedade e na Igreja» ou o papel do
homem?
Jun 1, 2019 - 23:33
Jornada Nacional deixou
propostas para a atuação das comunidades católicas
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) convidou cinco
oradores, três mulheres – a reitora da Universidade Católica, uma psiquiatra e
uma escritora – e dois homens – escritores – para refletirem sobre «A Mulher na
Sociedade e na Igreja».
No primeiro painel do encontro, a reitora da Universidade Católica
Portuguesa (UCP) referiu que a forma como as pessoas se relacionam com o
“tecido cultural legitima assimetrias”.
“A alteração faz-se por desconstruir os mitos da diferença entre géneros
que é necessário abolir”, explicou Isabel Capeloa Gil.
Com duas filhas “ativas, responsáveis e empenhadas na dignificação da
paridade”, a responsável realçou que “nunca foi opção escolher” entre a vida
profissional ou ser mãe, mas considera necessário que se criem “mecanismos
profissionais” para que as mulheres “possam escolher e aceder a cargos e
posições de liderança”.
A segunda reitora na história da UCP indicou alguns mitos que permanecem
sobre o sexo feminino, salientou que a paridade é possível e é “fundamental
lutar” para que mulheres possam “fazer escolhas em liberdade” e serem
reconhecidas em paridade com os homens e não “ostracizadas”.
Isabel Capeloa Gil evocou a “dignificação da mulher no Novo Testamento,
absolutamente distinta das práticas das culturas contemporâneas”, lembrando a
intervenção de abertura do encontro do presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações
Sociais.
A psiquiatra Margarida Neto revelou, por sua vez, que no seu consultório
vê maioritariamente mulheres que, “para serem tudo, desempenham mil papéis”,
realçando que as mulheres portuguesas são das que “mais trabalham na Europa”.
A convidada destacou ainda que a ideologia de género é “uma contracultura
que a maior parte das pessoas não está a perceber”, considerando que a mesma
“impõe subliminarmente – com imenso dinheiro derramado estrategicamente sobre
programas, educação, cultura, tudo -, que a identidade sexual resulta apenas de
uma programação social, homens e mulheres são basicamente iguais”.
O último interveniente da 15.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura,
que decorreu em Fátima, ao longo do dia, afirmou que é “o papel do homem que
deve ser debatido”, uma ideia já partilhada noutras intervenções.
Para Henrique Raposo a questão “não é dar mais poder às mulheres”, mas
como os homens “vão ceder esse poder” e deu como exemplo concreto o seu
ambiente familiar onde “a carreira” da esposa “é o mais importante”, por isso,
toma conta das duas filhas, e cede “esse poder”.
“O que está certo é ser um pai presente”, disse o escritor, que tem “dois
livros empatados”, salientando que os homens católicos devem ter a “família
como pilar, centro”, sem querer uma família do ano 1950.
Neste contexto, afirmou que é “triste” ver católicos apoiar “ondas
populistas”, que “agridem a emancipação da mulher”, – como no Brasil, EUA,
Alemanha, Filipinas – que “querem a mulher em casa”, que “o relógio ande para
trás”
Henrique Raposo destacou que
as suas filhas “são educadas” para estarem em campo ao mesmo nível do que os
rapazes: “Não aceito outra realidade”.
A escritora Leonor Xavier observou, na sua intervenção, que a mulher como
“lema, contexto, razão de ser”, tanto está na Igreja como na sociedade, embora
seja “mais” para “as coisas doces” do que duras.
Apresentado diversos dados sobre as presenças desiguais entre homens e
mulheres, propôs à Conferência Episcopal Portuguesa que se pronuncie “sobre a
violência doméstica” e não forme só na fé.
O escritor António Carlos Cortez realçou, por sua vez, que se ganhará “em
humanidade” quando “não for preciso refletir” sobre o tema do encontro.
Professor há 20 anos, no ensino superior e num colégio privado de Lisboa,
alertou que “a violência no país é preocupante” e que as raparigas, hoje,
“vivem perigosamente o corpo e sexualidade”.
António Carlos Cortez incentivou a Igreja Católica a “apelar e ter voz”
para que o Ministério deste setor “não formate os jovens, não tenha obsessão
pela educação do sucesso”.
A 15.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura terminou com a entrega do Prémio Árvore da Vida –
Padre Manuel Antunes ao historiador José Mattoso.
CB/OC





Comentários
Enviar um comentário