RC AFRICANA/mcre Portugal envia militares para região onde se verificou massacre
RC AFRICANA/mcre
Portugal envia militares para região onde se verificou massacre
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| D.R. |
Portugal enviou na
passada semana um contingente militar para a região de Bocaranga onde
no passado dia 21 de Maio mais de meia centena de pessoas foram mortas na
sequência do ataque de um grupo armado a algumas aldeias.
Os militares portugueses
fazem parte de uma força de reacção rápida ao serviço das Nações Unidas que
integra também capacetes azuis do Bangladesh, Camarões, Senegal e ainda
elementos das próprias forças armadas do país.
A região de Bocaranga
fica situada relativamente perto das fronteiras com o Chade e os Camarões e foi
palco de um dos mais graves ataques contra populações civis nos últimos tempos.
No dia 21 de Maio,
elementos afectos a uma das milícias que operam na República Centro-Africana,
conhecida como 3R – Regresso, Reclamação,
Reconciliação – atacaram várias aldeias perto da cidade de Paoua, havendo
registo de mortos em pelo menos quatro localidades.
O massacre já foi considerado como o mais grave em termos
de derramamento de sangue desde que o governo e 14 milícias assinaram um acordo
no passado mês de Fevereiro com o objectivo de se restaurar a paz no país.
O ataque às aldeias nesta região de Bocaranga coincidiu
praticamente com o assassinato de uma missionária espanhola na aldeia de Nola,
pertencente à diocese de Berberati. A religiosa, Inés Nieves Sancho, de 77 anos, foi decapitada na passada segunda-feira, dia 21 de Maio, acreditando as autoridades que o ataque à irmã
possa estar relacionado com o tráfico de órgãos humanos.
A missionária espanhola
pertencia à congregação das Filhas de Jesus de Massac e trabalhava na República
Centro-Africana há quase três décadas. O Papa Francisco fez questão horas
depois de conhecido o assassinato de Inés Sancho de “lembrar a memória”, da
religiosa, explicando que ela era “educadora de meninas pobres desde há dezenas
de anos” e foi “morta de forma bárbara na República Centro-Africana,
precisamente no local onde ensinava costura a jovens meninas, uma mulher que
deu a vida por Jesus ao serviço dos pobres”.
A República Centro-Africana vive uma terrível onda de
violência desde 2013, com grupos armados muçulmanos, os Séléka, a espalharem a violência contra as populações civis, o
que deu origem à criação de grupos de
auto-defesa, conhecidos localmente como os “anti-Balaka”.



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