PORTUGAL BOA NOVA com o coração nas mãos e nas obras por ARTUR MATOS *

PORTUGAL
BOA NOVA  com o coração nas mãos e nas obras por ARTUR MATOS *

Dar e dar-se sem reservas nem limites, dar-se até que doa e viver sem medir o tempo, jogar o coração no peito dos outros, dar-se até à morte e amar sem ser amado ou retribuído é próprio de quem é forte na ternura e feliz na doação. O mundo dos homens e das mulheres não subsistiria se essa ternura não fosse infinitamente maior que a violência.
Vivemos às avessas. Querem-nos fazer (comunicação social e digital de todas as formas e feitios) que o coração, cá fora, é de pessoas lamechas e fracas. Que são bem dispensáveis a ternura, os afetos, o abraço, a proximidade com as pessoas. Não entendem o que é a doação sem recompensa. Para eles é subdesenvolvimento psicológico e parvoíce. Esse mundo esplendoroso de ilusão e de tédio anda ofuscado com a vingança, o dinheiro, o prazer a todo o custo, a infidelidade aos compromissos, a louca ganância do supérfluo e da vaidade. Vendem como felicidade a própria vontade sem treino nem superação do egoísmo e do egocentrismo. E dão até a ideia que são os melhores, os maiores, os mais importantes, a maioria.
Em contraponto, no subsolo da comunicação de massas, no propositado ignorar das coisas
certas e belas que o coração e a consciência ditam, estão os ignorados milhões e milhões (não serão biliões?) de homens e de mulheres anónimos que dão o ar puro à humanidade e a esses~tais que se julgam senhores dele. São os pais, as mães, as crianças, os jovens, os avós e a inumerável falange de quem ama de verdade, sem contar o dinheiro nem o tempo nem os anos. Os que amam, dão e se dão sem julgar. São os que vão, pelo ímpeto do coração, embalados pela freima dos outros, de coração nas mãos pela dor alheia e pelas situações de injustiça e de exploração dos mais fracos e esquecidos, e estão lá, onde mais ninguém quer ir e dinheiro algum tem poder para estar. Porque chegaram antes, e são incompatíveis com o dinheiro, o poder e a importância. O amor, a misericórdia, e a compaixão vêm sempre antes. Antes mesmo de nascermos. Chegaram primeiro.
Sempre o amor chega primeiro. Primeiro que a luz. Porque vem de Deus, de Deus jorra, de Deus
é, é Deus mesmo.
Justo é relevar a presença solidária de tantos homens e mulheres de coração grande, que o levam nas mãos, aos pobres de afeto, acolhimento, ternura, pão fé e esperança. Dentre eles, sobressaem, sem parangonas nem chavões publicitários, os missionários católicos – sim, é bom
lembrá-los e chamá-los pelo nome - que estão na primeiríssima linha de quem se dá, com o coração

nas mãos e nas obras, pelo bem dos outros. Não apenas anunciando o Evangelho, que de si mesmo já é um anúncio libertador, mas pelo que de mais belo e credível o ser humano pode fazer pelos outros: dar a vida toda e por toda a vida. Só um amor assim põe a vida às direitas. Põe os pés no chão e a cabeça no céu. Não às avessas. * Director, in BN fev.2016 p.3

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