MOÇAMBIQUE ciclones
MOÇAMBIQUE ciclones
ONU prepara-se para estação de ciclones em Moçambique, que começa em
março
BR ONU News
31 janeiro 2020
ONU Moçambique
Mais de 67 mil pessoas foram afetadas pelas
chuvas fortes, ventos e inundações que atingem Moçambique desde dezembro
passado.
País de língua portuguesa está
sendo afetado por chuvas fortes no norte e secas no sul, menos de um ano após a
devastação causada pelos ciclones Idai e Kenneth; chefe do Sistema ONU no país,
Myrta Kaulard, destaca necessidades de financiamento urgentes.
A estação de chuvas, que começou em dezembro em
Moçambique, está trazendo fortes tempestades ao país. O alerta é da chefe das
Nações Unidas em Moçambique, Myrta Kaulard.
Em entrevista à ONU News, de Maputo, ela afirma que a
organização está se preparando para responder a uma estação de ciclones “muito
forte” nos próximos meses.
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| Coordenadora residente da ONU em Moçambique, Myrta Kaulard, ONU News |
Idai e Kenneth
A notícia chega poucos meses antes de a nação africana
marcar o primeiro aniversário de um dos maiores desastres naturais de sua
história: os ciclones Idai e Kenneth, que arrasaram Moçambique em março e abril
passados.
Juntos, eles causaram mais de 640 mortes a afetaram pelo
menos 2,2 milhões de pessoas.
Myrta Kaulard conta que o início das chuvas tem sido
“muito intenso” e que os desastres naturais do ano passado dificultam a
resposta.
“Isto torna estas populações muito mais vulneráveis do
que em anos passados. Estamos muito preocupados. As previsões são de mais
chuvas nas próximas semanas e isto é um desafio muito forte. Estamos então muito
preocupados.”
Os últimos dados do Escritório de Assistência Humanitária
da ONU, Ocha, revelam que as chuvas já afetaram perto de 68 mil pessoas,
causando 45 mortes e 67 feridos.
Mais de 3,1 mil casas foram destruídas e 1,1 mil salas de
aula danificadas, bem como 10 centros de saúde. Em resposta, as agências da ONU
prestaram ajuda alimentar a mais de 82 mil famílias nas províncias de Gaza e
Inhambane.
Secas
Por outro lado, no sul do país, as chuvas estão muito
abaixo do normal, com um problema de seca que causa insegurança alimentar.
Segundo a coordenadora residente, a ONU e os parceiros estão apoiando “várias
centenas de milhares de pessoas.”
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| Aspeto da destruíção do ciclone Kenneth em Macomia, em Cabo Delgado, Foto ONU/Eskinder Debebe |
Myrta Kaulard diz que “as Nações Unidas estão colaborando
de forma muito próxima com as instituições nacionais”, que “estão a trabalhar
muito bem”, evacuando pessoas que vivem em zonas de risco para evitar perdas de
vidas.
Segundo a coordenadora, devido às secas e às
chuvas, os stocks de emergência já estão sendo utilizados, ainda antes do pico
da época dos ciclones. Ela diz que isso é “uma fonte de preocupação.”
Neste momento, 2,5 milhões de moçambicanos precisam de
ajuda humanitária urgente. Cerca de 1,9 milhão de pessoas necessitam ajuda
alimentar, 765 mil famílias precisam de kits sanitários e mais de 115 mil
famílias necessitam abrigos.
“As prioridades das próximas oito semanas são
alimentação, abrigos, água e saneamento. Estes são os elementos básico para
poder salvar vidas e poder apoiar as necessidades primarias das populações.”
Myrta Kaulard afirma que a ONU está “correndo contra o
tempo para mobilizar recursos, para comprar mais alimentos, mais abrigos e mais
material para posicionar” antes da chegada da época dos ciclones.
Financiamento
O maior obstáculo a esse trabalho é o financiamento. A
coordenadora diz que a ONU não tem, neste momento, os recursos necessários. O
Plano de Resposta Humanitária para o país detalha uma necessidade urgente de
US$ 120 milhões. Dentro desse total, US$ 25 milhões são necessários
imediatamente.
“Deixo um pedido à comunidade internacional de sustentar
o trabalho das Nações Unidas e das instituições moçambicanas para poder ajudar
a população que pode ser afetada por chuvas, por secas e por ciclones nos
próximos meses. “
Segundo a coordenadora residente, “as capacidades das
instituições nacionais são limitadas” e, por isso, a comunidade internacional
“tem uma responsabilidade de ajudar.”





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