VIDA CONSAGRADA «criar família»
VIDA CONSAGRADA «criar família»
Papa
advertiu para «olhar mundano» que procura «sucesso e consolação afetiva»
Fev 1, 2020 - 16:46
Francisco alertou para a «resignação», «tristeza e desânimo» entre os
religiosos que «se afastam de Deus»
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| Foto Lusa |
O Papa Francisco alertou hoje – 1 fev 2020 - os religiosos e religiosas para o “olhar mundano”, para a “tentação que paira” na vida consagrada que procura o “sucesso, a consolação afetiva” e faz “o que quer”.
“E sabemos o que acontece depois! Reivindicam-se os espaços próprios e os
direitos próprios, deixamo-nos cair em críticas e murmurações, indignamo-nos
pela mais pequena coisa que não funcione e entoamos a ladainha da lamentação
acerca dos irmãos, das irmãs, da comunidade, da Igreja, da sociedade”, advertiu
Francisco durante a homilia da celebração eucarística com os membros dos
Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida apostólica, no XXIV Dia
Mundial da Vida Consagrada.
Na Basílica de São Pedro, o Papa falou na rotina e pragmatismo que tomam
conta de um religioso ou religiosa, que “já não vê o Senhor”: “no seu íntimo
aumentam a tristeza e o desânimo, que degeneram em resignação”.
“A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, vê a beleza. Vê
que a pobreza não é um esforço titânico, mas uma liberdade superior, que nos
presenteia como verdadeiras riquezas Deus e os outros. Vê que a castidade não é
uma esterilidade austera, mas o caminho para amar sem se apoderar. Vê que a
obediência não é disciplina, mas a vitória, no estilo de Jesus, sobre a nossa
anarquia”, enumerou a partir dos votos que os religiosos fazem.
O Papa falava de “irmãos e irmãs consagrados” como pessoas “simples” que
viram “o tesouro que vale mais do que todas as riquezas do mundo” e, por ele,
“deixaram coisas preciosas, tais como bens, criar uma família própria”.
“Por que o fizestes? Porque vos apaixonastes por Jesus, n’Ele vistes tudo
e, fascinados pelo seu olhar, deixastes o resto. A vida consagrada é esta
visão. É ver aquilo que conta na vida”, sublinhou.
Como consagrados, indicou Francisco, “homens e mulheres que vivem para
imitar Jesus”, os religiosos “são chamados a tornar presente no mundo o olhar
d’Ele, o olhar da compaixão, o olhar que vai à procura dos distantes, que não
condena, mas encoraja, liberta, consola” em atitudes que devem começar na
própria comunidade.
“Devemos pedir a graça de saber procurar Jesus nos irmãos e irmãs que
recebemos. É aqui que se começa a praticar a caridade: no lugar onde vives,
acolhendo os irmãos e irmãs com as suas pobrezas”.
Francisco pediu aos religiosos e religiosas que procurem dar graças, pois,
“saber ver a graça é o ponto de partida” e também que mantenham um olhar de
esperança.
“Olhemos o Evangelho e vejamos Simeão e Ana: eram idosos, viviam sozinhos e
contudo não tinham perdido a esperança, porque estavam em contacto com o
Senhor. O olhar dos consagrados só pode ser um olhar de esperança. Saber
esperar”, sugeriu.
“Amados irmãos e irmãs, agradeçamos a Deus pelo dom da vida consagrada e
peçamos um olhar novo, que saiba ver a graça, que saiba procurar o próximo, que
saiba esperar. Então os nossos olhos também verão a Salvação”, finalizou.



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